POLÍCIA

Criança de 10 anos morre após cirurgia em clínica odontológica

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O menino de 10 anos que morreu durante um procedimento cirúrgico em uma clínica odontológica de Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nessa segunda-feira (20), chegou a reclamar de dor momentos antes de começar a fazer vômito e perder a consciência, conforme consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar.

 

De acordo com o documento policial, a mãe contou que, após o filho reclamar, a dentista foi questionada por ela e teria respondido que “ele não estaria sentindo dor”. Em seguida, a profissional aplicou mais anestesia.

 

Anthony Bernardo da Silva Souza foi atendido no último sábado (18) pela mesma dentista, que indicou a realização de um canal como tratamento, passou um antibiótico e marcou o retorno do menino para essa segunda.

 

Na nova consulta, a mãe disse que perguntou se seria possível extrair o dente do filho com segurança.

 

 “Ele retornou hoje (segunda), pediu um Raio X, minha tia chegou a fazer o Raio X (na criança) e ela (a dentista) falou que dava para fazer super de boa, que não tinha perigo, que ela tinha uma equipe competente. Foi aí que o Bernardo começou a dar hemorragia, a esparramar sangue pelo chão e já chegou aqui na UPA desacordado”, explicou Maria Victória da Silva César, prima da criança.

Possibilidades de tratamento

Ainda segundo o boletim, após ter acesso ao Raio X, a dentista disse que a gengiva do paciente estava muito machucada, mas que teria condições de extrair o dente. Assim que ele foi extraído, a hemorragia começou. Anthony foi socorrido em uma ambulância, mas não resistiu.

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À polícia, a dentista de 29 anos, contou que no dia da primeira consulta foi realizada uma avaliação sendo constatado que havia uma cárie e que a indicação seria um canal. O tratamento ficaria no valor de R$ 750, mas a mãe da criança alegou que não tinha condições de arcar com os custos.

A profissional afirma que foi oferecida a possibilidade de parcelamento, mas a mãe reforçou que não teria como pagar, uma vez que estava desempregada. Com isso ficou acertada a extração do dente pelo valor de R$ 180.

A dentista afirma que foi perguntado à mãe se o menino teria alguma alergia, o que foi respondido que não. Ainda conforme ela, o procedimento de extração teve início por volta das 11h e ocorria dentro da normalidade quando, em certo momento, ela notou que saiu uma quantidade maior de sangue e, por esse motivo, chamou a sócia.

A outra dentista contou aos militares que assumiu o procedimento, extraiu o dente e o paciente apresentou um quadro de hemorragia. Um terceiro profissional, especializado em cirurgia avançada, foi acionado para auxiliar no estancamento da hemorragia.

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Ela ainda afirmou que, antes da chegada da ambulância, foram mantidos os procedimentos para estancamento e iniciaram uma massagem cardíaca para melhorar a ventilação do menino, além da utilização de aparelho para sugar as secreções e deixar o paciente em condição estável.

De acordo com o boletim, as duas dentistas foram “convidadas a comparecerem na delegacia de plantão para acompanhar o encerramento do B.O, se disponibilizando a prestar esclarecimentos caso a autoridade judiciária julgue necessário”.

Já  o terceiro profissional não aguardou no local e não foi localizado. Segundo a polícia, ele teria se deslocado para Divinópolis e não foi possível entrar em contato.

Procedimentos policiais

 

Por meio de nota, nessa segunda, a Polícia Civil informou que “assim que acionada, deslocou ao local equipe da perícia criminal e de policiais civis da Delegacia de Igarapé para realizar os primeiros levantamentos”. O corpo de Anthony foi encaminhado ao Posto Médico Legal de Betim para se submeter aos exames cabíveis

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