POLÍCIA

Donos de fazenda em MT, tr4ficantes levam drogas em pneus de caminhões

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Os irmãos Hermógenes Aparecido Mendes Filho e Ronaldo Mendes Nunes, dois fazendeiros de Mato Grosso que ostentavam uma vida de luxo em suas redes sociais, foram destaque na noite deste domingo (14) no Programa Domingo Espetacular (TV Record). A reportagem revelou que a fortuna que a dupla exibia, na verdade, vinha de um esquema de tráfico de drogas e contava com a proteção de um político paraguaio.

 

Os irmãos foram denunciados pelo Ministério Público Federal pelas acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Hermógenes e Ronaldo possuem fazendas e sítios de alto padrão tanto em Mato Grosso quanto em Mato Grosso do Sul.

 

Conforme as informações, Hermógenes está preso desde 8 de dezembro do ano passado durante a Operação Sanctus, deflagrada pela Polícia Federal de Mato Grosso do Sul. Já Ronaldo Mendes Nunes está foragido.

“A lavagem de capitais por meio da criação de gado se dá basicamente pela mescla de capitais. Dinheiro ilícito na compra de animais, na compra da própria propriedade rural e quando ele vende, entrega esses valores ao patrimônio, como se tivesse sido obtido licitamente. Todo o patrimônio foi comprado com dinheiro da venda de maconha e cocaína”, informou o delegado Lucas Sá Vilela. Uma das propriedades da dupla citada na reportagem é a Fazenda Beira Rio, localizada no município de Feliz Natal (510 km de Cuiabá), que conta com mil hectares.

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Segundo a matéria, a lavagem de dinheiro usando a Fazenda Beira Rio foi apenas uma parte da investigação da PF. A outra parte é sobre a origem do dinheiro.

 

Todo o patrimônio foi comprado com dinheiro da venda de maconha e cocaína. A investigação sobre o esquema começou após carregamentos de droga enviados para São Paulo e Rio de Janeiro e de dinheiro em espécie trazidos na viagem de volta serem apreendidos dentro dos pneus de carretas  pela Polícia Rodoviária Federal. Carretas ligadas ao grupo criminoso cruzavam a fronteira Brasil-Paraguai.

 

As rodas eram abastecidas com cocaína no Paraguai. Voltavam ao Brasil e, consequentemente, essas rodas eram colocadas em outras carretas para seguir viagem dentro do território brasileiro.

 

O dinheiro do pagamento das drogas também era escondido e transportado dentro das rodas. Um dos principais clientes dos irmãos era o Comando Vermelho do Rio de Janeiro. “Algumas apreensões indicam que esse esquema de transporte de droga para o Rio de Janeiro e o retorno do caminhão com valores, sempre dentro dos pneus, ocorria desde 2014”, acrescentou o delegado Vilela.

 

Segundo as informações, os fazendeiros das redes sociais movimentaram cerca de R$ 30 milhões nos últimos dois anos. Além dos bois, Aparecidos Mendes mostrava na internet seus hábitos luxuosos, como o consumo de um  whisky escocês de 700 ml que custa R$ 3,2 mil mostrava também caminhonetes com valores de até R$ 300 mil.

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Ele também exibia vídeos atirando com fuzil em estandes de tiros e viagens em aeronaves de pequeno porte, sendo uma delas apreendida e avaliada em mais de um milhão de reais. Já Ronaldo também é dono de um restaurante de luxo em Dourados, Mato Grosso.

 

Segundo a PF, o estabelecimento de alto padrão era usado para lavar o dinheiro proveniente da droga vendida para o Comando Vermelho. O restaurante declarava à Receita Federal um faturamento de R$ 1,5 milhão por mês.

 

Entretanto, de outubro de 2022 a outubro de 2023, o faturamento foi de R$ 500 mil, ou seja, o restaurante faturou em média R$ 41 mil por mês no período de um ano. “Eles davam prejuízo, mas existiam para elevar a autoestima de seu proprietário, que é o segundo investigado”, completou o delegado Lucas.

 

Ronaldo também usava a estrutura do restaurante para agradar parceiros do Paraguai que forneciam a cocaína, a qual os irmãos vendiam para o Comando Vermelho. Ronaldo conseguiu fugir da PF em um carro do deputado nacional do Paraguai Eulalio “Lalo” Gomes.

 

O político já foi citado em uma outra operação também relacionada ao tráfico de drogas. O caso segue sendo investigado.

 

 

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