POLÍCIA
Vídeos mostram arma e joias apreendidas pela PF na casa de irmão da primeira-dama de Cuiabá
Antônio Ernani Rezende Kuhn e seu filho Ernani Rezende Kuhn foram alvos de mandado de busca e apreensão. Ao todo, a PF cumpre 32 mandados.
Um vídeo registrado por agentes da Polícia Federal e divulgado na tarde desta terça-feira (28) mostra o momento em que um revólver, da marca Rossi calibre 22, foi encontrado na residência do empresário Antônio Ernani Kuhn, irmão da primeira-dama de Cuiabá Márcia Pinheiro, durante a deflagração da Operação Miasma. Ele chegou a ser preso em flagrante, mas pagou fiança no valor de R$ 30 mil e foi liberado.
A operação tem o objetivo de investigar irregularidades na compra de um software de R$ 15 milhões pela prefeitura da Capital, para a Secretaria municipal de Saúde. Ao todo, a PF cumpre 32 mandados em cidades de Mato Grosso, Amazonas, Tocantins e no Distrito Federal. O filho do empresário, Ernani Rezende Kuhn, também foi um dos alvos da operação.
Na gravação, é possível ver que os agentes encontraram o revólver dentro de um cofre na casa de Antônio Ernani Kuhn, que fica no Edifício Diplomata, no Bairro Araes na Capital. Além disso, diversas joias estavam no local.
Durante o cumprimento dos mandados, a PF também apreendeu R$ 35 mil em espécie, mas não informou a quem pertence a quantia.
Diante do flagrante da arma de fogo, Antônio foi encaminhado para a sede da PF. Lá, foi estipulado uma fiança de R$ 30 mil para que ele fosse liberado. A reportagem apurou que ele realizou o pagamento e foi liberado.
A operação
De acordo com a PF, o esquema foi denunciado em maio do ano passado pelo Gabinete de Intervenção, que encontrou o contrato suspeito da Secretaria com a empresa hon Gestão Conhecimento e Tecnologia Ltda, pouco tempo após iniciar os trabalhos na pasta.
Conforme a denúncia, o software comprado nunca foi utilizado, apesar de a Prefeitura ter pago mais de 50% do valor. A decisão ainda destaca que a prefeitura já era atendida por outro sistema de computador, e a substituição deste não foi justificada tecnicamente.
As apurações, que tiveram início em 2023, relacionam o esquema criminoso com a possível participação de agentes públicos, envolvendo adesão à ata do Estado de Tocantins sem estudos técnicos, celeridade dos pagamentos sem a implantação e uso efetivo do software contratado, além de pagamentos irregulares para a aquisição de licenças, suporte e treinamentos relacionados ao software.
As análises revelaram a potencial prática de crimes contra administração pública, dentre eles peculato e fraude à licitação ou contrato público. O valor contratual com a empresa investigada foi de R$ 14,9 milhões, e, no período de junho de 2022 a fevereiro de 2023, foi empenhado pela Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (MT) o montante de R$ 7,9 milhões, oriundos de recursos federais do Fundo Nacional de Saúde (FNS).
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