LUCAS DO RIO VERDE

Áudio apresentado por MP revela acusado cobrando pai de santo e dispara ofensas contra a ex-companheira antes do crime

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Durante o julgamento do caso que apura a morte de Indianara, ocorrido em 2021, um áudio extraído do celular do suposto líder espiritual envolvido no caso foi exibido como prova pela acusação. A gravação, segundo os autos, teria sido enviada pelo ex-marido da vítima ao pai de santo, dias antes do crime, e revela não apenas um tom de cobrança, mas também falas ofensivas e a possível solicitação de uma ação contra a ex-companheira.

 

Na gravação, o acusado questiona a conduta do líder religioso, afirmando que ele estaria “jogando dos dois lados” e o acusa de ter se envolvido com Indianara após o término da relação entre os dois. “Márcio, agora eu não sei qual está sendo o relacionamento de você com ela, né? Vocês estão viajando juntos. Eu não estou entendendo esse negócio aí.”

O réu continua dizendo que havia pedido uma “reza” e que o combinado não estaria sendo cumprido. “Aí eu peço pra você fazer as coisas, e você pega… como é que é? Não está jogando os dois lados. Não é possível um negócio desse.”

 

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Em tom de revolta, ele afirma que o círculo de amigos estaria do lado dele, e que, para ele, a relação com a vítima estava encerrada. “Cara, a carta aqui está para os meus amigos, tudo em volta aqui, tudo torcendo por mim. E pra ela, acabou. Se ela pisar o pé aqui, é bem incapacitada de conversar com ela, por educação. Mas a moral dela foi lá embaixo.”

 

A gravação segue com declarações duras e de cunho ofensivo à ex-companheira. O acusado a chama de “galinha”, afirmando que isso já seria de conhecimento do pai de santo: “Esse fato dela ser galinha… e faz tempo que ela é galinha, que você sabe disso, que eu sempre te falei. Você olhava pra mim e se impregnava, mas porque você sabia. Você acoitou ela, né? Você acoitou ela. E sabia que eu era corno e você não me falou.”

 

O áudio também revela uma cobrança direta por uma suposta promessa feita pelo líder espiritual. “Você me arruma essa situação, bota ela no lugar dela igual você me prometeu. Me tira dessa situação, que foi você que colocou junto com ela. A amizade nossa vai continuar, mas vem por você também.”

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No trecho mais grave, o réu afirma: “Faz o condenado e deixa a coisa acontecer. Ela escolheu o caminho dela. Se ela quisesse virar a gente, tinha virado comigo. A oportunidade teve e chance teve. Não quis é porque sem vergonha também não vai mudar nunca. Então é do inferno pra lá.”

 

A Promotoria argumenta que esse áudio reforça a tese de que o crime foi premeditado, motivado por ciúmes, sentimento de posse e desejo de vingança. O conteúdo é apontado como evidência do envolvimento direto do acusado na contratação do ritual que resultou na morte de Indianara, supostamente sob o pretexto de uma “reza para desfazer trabalhos espirituais”.

 

O acusado, por sua vez, nega que tenha encomendado qualquer ato de violência, afirmando que acreditava estar tratando de uma questão espiritual. “Na minha concepção, tudo ia ser feito espiritualmente. Acreditava que ele era um líder espiritual. Estou chocado até hoje com a morte dela”, disse durante seu depoimento no júri.

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