MATO GROSSO

MT tem 2 cidades entre as 10 com maiores taxas de estupro do Brasil

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Sorriso e Tangará da Serra estão entre os piores índices do país; maioria das vítimas são mulheres negras e crimes ocorrem dentro de casa.

O estado de Mato Grosso voltou a se destacar negativamente no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (23). O levantamento, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que quatro cidades mato-grossenses estão entre os 50 municípios com as maiores taxas de estupro do Brasil, considerando apenas os com mais de 100 mil habitantes.

O município de Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá) ocupa a segunda posição nacional, com 131,9 vítimas de estupro a cada 100 mil habitantes. Já Tangará da Serra aparece em sétimo lugar, com taxa de 99,5 casos por 100 mil. No total, dois municípios do estado estão entre os 10 piores do país.

Além deles, Sinop (500 km ao norte) surge na 20ª colocação, enquanto Cuiabá figura na 43ª posição. Das seis cidades de Mato Grosso que se enquadram no critério populacional do anuário (acima de 100 mil habitantes), quatro aparecem entre as 50 com piores taxas, revelando um cenário alarmante no estado.

“Em 2023, Sorriso liderava o ranking nacional. Este ano, caiu para a segunda posição. Já Tangará da Serra saltou da 45ª para a 7ª posição, com um aumento de 67,2% nos registros absolutos em relação ao ano anterior”, detalha o relatório.

No panorama estadual, Mato Grosso ocupa a 6ª colocação entre os estados com maior taxa de estupros e estupros de vulnerável, com 70,8 casos por 100 mil habitantes. O estado também figura na 2ª posição nacional em número de denúncias de assédio sexual, atrás apenas do Amapá.

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Perfil das Vítimas e Local dos Crimes

O levantamento nacional indica que mulheres negras seguem como as maiores vítimas da violência sexual no Brasil. Do total de 87.545 vítimas registradas em 2024, a maioria são mulheres e meninas, enquanto mais de 11 mil eram do sexo masculino. A violência ocorre, em sua maioria, dentro da própria casa: 65,7% dos casos de estupro e 67,9% dos estupros de vulnerável aconteceram em ambiente familiar ou íntimo.

“O lar segue sendo o principal cenário da violência sexual. Em muitos casos, o agressor é alguém próximo: parente, conhecido ou responsável pela vítima”, destaca o anuário.

Subnotificação e reflexão

O relatório também aponta que os dados podem estar subnotificados, ou seja, nem todos os casos foram denunciados. Por outro lado, o aumento nos números também pode indicar maior coragem e acesso das vítimas à denúncia.

O levantamento evidencia a necessidade urgente de políticas públicas de proteção às mulheres e crianças, além de ações preventivas e de educação sobre violência sexual em todo o território nacional.

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