defesa polêmica
João Neto, advogado preso suspeito de agredir ex, defendeu marido que matou esposa e arrastou corpo presa a moto
O advogado e influenciador baiano João Francisco de Assis Neto atuou na defesa do marmorista Wellington Honorato dos Santos, condenado a 19 anos de prisão, nesta terça-feira (27), em Sinop, pelo feminicídio de Bruna de Oliveira.
A atuação do defensor chamou atenção porque João Neto ganhou notoriedade nacional após ter sido preso em 2025, em Maceió, acusado de agredir a própria esposa dentro do apartamento onde o casal morava. As agressões, à época, teriam sido registradas por câmeras de segurança do condomínio. O processo que apura o caso tramita em segredo de justiça.
Wellington Honorato, natural de Maceió, responde pelo feminicídio ocorrido em julho de 2024. Conforme a decisão de pronúncia, o crime teria sido motivado por uma discussão considerada fútil. Segundo a versão apresentada pelo réu, a vítima teria insistido para que ele lhe vendesse um ventilador.
No entanto, de acordo com os autos, após a discussão, Wellington cortou a parte frontal do pescoço de Bruna, amarrou o corpo a uma corrente presa à motocicleta e arrastou a vítima por cerca de três quadras até um matagal, onde tentou ocultar o cadáver.
Em despacho judicial, a magistrada destacou a gravidade da conduta e o risco à ordem pública.
“A periculosidade real do agente é constatada a partir do modus operandi supostamente utilizado, revelando ousadia criminosa e colocando em risco a garantia da ordem pública”, aponta a decisão.
Ainda em 2024, a juíza da 1ª Vara Criminal de Sinop, Rosângela Zacarkim dos Santos, manteve a prisão preventiva de Wellington, ressaltando que a forma de execução do crime evidencia maior ousadia criminosa. O réu foi pronunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e ocultação de cadáver, sendo levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Defesa polêmica
João Neto possui mais de um milhão de seguidores no Instagram e se apresenta como advogado, mestre em Ciências Criminais, professor, ex-militar e estudante de Medicina. Após 29 dias preso, ele deixou o sistema prisional alagoano por decisão judicial que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
A participação do influenciador na defesa de um caso de feminicídio reacendeu debates nas redes sociais sobre ética, exposição pública e a atuação de figuras midiáticas em processos de grande repercussão.
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