CUIABÁ
Execução milionária: assassinato de advogado em Cuiabá custou R$ 215 mil, aponta investigação
A Polícia Civil de Mato Grosso revelou que o assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024 em Cuiabá, foi encomendado por R$ 215 mil. A informação foi descoberta após a quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça durante as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo os investigadores, a análise das movimentações financeiras permitiu identificar todo o fluxo de dinheiro usado para pagar o crime.
De acordo com a investigação, Julinere Goulart Bentos, apontada como uma das mandantes, realizou transferências que somaram R$ 200 mil no dia 24 de março de 2024. O dinheiro passou por contas de terceiros, estratégia usada para tentar ocultar o destino final dos valores.
A polícia também identificou que o policial militar Jackson Barbosa, apontado como um dos intermediários do assassinato, evitou receber o dinheiro diretamente em sua conta, utilizando outras pessoas para movimentar os valores.
Parte do dinheiro, cerca de R$ 115 mil, foi usada no dia 5 de março para a compra de uma Mercedes-Benz registrada em nome de terceiros. No mesmo dia, R$ 40 mil foram transferidos para a conta da mãe do policial, enquanto o restante foi enviado para a conta de Jackson no dia seguinte.
Além disso, no dia 8 de março, Julinere realizou um pagamento direto de R$ 15 mil ao policial, totalizando R$ 215 mil utilizados para financiar o assassinato.
As movimentações financeiras identificadas pelos investigadores coincidem com os depoimentos do policial militar Heron Teixeira, que também teria atuado como intermediário do crime, e de Alex Roberto, apontado como o executor do advogado.
Durante a investigação, a polícia também concluiu que houve tentativa de lavagem de dinheiro, já que os valores foram movimentados por meio de terceiros e em transferências fracionadas para dificultar o rastreamento.
O advogado Renato Nery, de 72 anos, foi baleado com sete tiros no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu na madrugada do dia seguinte.
Segundo a investigação, a motivação do crime estaria ligada a uma disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares no município de Novo São Joaquim. Após anos de disputa, Renato Nery havia se tornado coproprietário da terra, situação que teria gerado conflito com empresários ligados à área.
As investigações apontam como mandantes Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, empresários de Primavera do Leste.
Também foram identificados como intermediários os policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, enquanto Alex Roberto de Queiroz Silva foi apontado como o executor.
Todos os envolvidos estão presos, mas ainda não foram condenados. O processo segue em andamento e tramita sob sigilo.
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