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Dependência da China acende alerta no agronegócio brasileiro

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O comunicador e especialista em agronegócio Marcelo Ponce avalia que o agro brasileiro começou a enxergar com mais preocupação a forte dependência econômica da China, principal compradora de produtos do setor no Brasil.

Segundo ele, durante anos o mercado enxergou a demanda chinesa como praticamente garantida, especialmente em meio à guerra comercial entre China e Estados Unidos, cenário que favoreceu diretamente as exportações brasileiras.

China concentra grande parte das exportações do agro

De acordo com o artigo, cerca de 36% de toda a exportação do agronegócio brasileiro em 2025 teve como destino a China.

Na soja, o Brasil teria exportado aproximadamente 74 milhões de toneladas aos chineses no último ano. Já na carne bovina, o país asiático também se consolidou como principal comprador da produção brasileira.

O texto aponta que grande parte da dinâmica econômica do agro passou a depender diretamente da demanda chinesa.

Reaproximação entre China e EUA preocupa setor

O alerta aumentou após sinais de reaproximação comercial entre Estados Unidos e China.

Segundo Marcelo Ponce, em maio de 2026 o presidente Donald Trump se reuniu com Xi Jinping em Pequim para discutir redução de tensões comerciais e retomada de acordos econômicos.

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Entre os temas debatidos estaria a ampliação da compra de produtos agrícolas norte-americanos entre 2026 e 2028.

Para o setor brasileiro, isso representa a volta mais forte dos Estados Unidos à disputa pelo mercado chinês.

Cotas para carne bovina elevaram preocupação

Outro ponto destacado foi a criação, pela China, de cotas para importação de carne bovina em janeiro de 2026.

Segundo o artigo, importações acima do limite estabelecido passaram a sofrer tarifa de até 55%.

O Brasil teria recebido uma cota próxima de 1,1 milhão de toneladas, sendo que metade desse volume já teria sido utilizada ainda no primeiro semestre do ano.

A medida gerou preocupação dentro da pecuária brasileira, que durante anos trabalhou com a percepção de uma demanda praticamente ilimitada da China por proteína animal.

Impactos podem ir além do campo

Marcelo Ponce afirma que uma eventual desaceleração das compras chinesas não afetaria apenas produtores rurais.

Segundo ele, os reflexos poderiam atingir:

  • frigoríficos;
  • transportadoras;
  • investimentos;
  • geração de empregos;
  • cadeia logística;
  • arrecadação econômica.
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O comunicador avalia que a China vem diversificando fornecedores e ampliando controle sobre importações, abrindo espaço para concorrentes como Austrália e Estados Unidos.

Para ele, o principal desafio do agro brasileiro passa a ser reduzir a dependência de um único mercado consumidor e ampliar a diversificação comercial nos próximos anos.

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