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Pai suspeitava que Olga não era sua filha biológica e hipótese passa a ser investigada como possível motivação do crime

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Advogada da família afirma que suspeito dizia que a menina era “muito branquinha” e questionava a paternidade anos antes do assassinato

Novos detalhes revelados pela defesa da família de Olga Beatriz Santos da Silva, de 12 anos, podem ajudar a esclarecer a motivação do crime que chocou Mato Grosso. Segundo a advogada Dayane Rodrigues, Claudinei Silva, de 42 anos, suspeito de matar a própria filha, acreditava que a menina não era sua filha biológica e chegou a manifestar essa desconfiança diversas vezes ao longo dos anos.

 

A informação veio à tona após a advogada ter acesso a um inquérito policial de 2018, que investigou uma tentativa de feminicídio contra Mayara Santos, mãe de Olga. Conforme o documento, Claudinei já demonstrava dúvidas sobre a paternidade da criança naquela época.

 

Durante entrevista ao programa SBT Comunidade, Dayane afirmou que o investigado costumava dizer que Olga era “muito branquinha” e, por isso, acreditava que não era seu pai biológico.

 

“Ele falava para a mãe da Olga que ela não era filha dele, que era muito branquinha”, relatou a advogada ao comentar trechos do inquérito policial.

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De acordo com a representante da família, a descoberta levou a defesa a comunicar imediatamente a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação do caso. Um pedido para que o suspeito seja novamente ouvido também foi protocolado.

 

Para Dayane Rodrigues, a suspeita sobre a paternidade pode ter sido um dos fatores que contribuíram para o assassinato da menina, embora a motivação oficial ainda esteja sendo apurada pela Polícia Civil.

Histórico de violência

O inquérito de 2018 também revela um histórico de violência praticado por Claudinei contra a mãe da criança. Segundo a advogada, ele manteve Mayara Santos em cárcere privado, além de agredi-la física e psicologicamente.

 

Conforme os relatos apresentados pela defesa, a mulher foi mantida presa por vários dias, teve os cabelos cortados à força e sofreu violência sexual durante o período em que permaneceu sob o controle do agressor.

 

A advogada relembrou ainda que Claudinei foi condenado a 11 anos, quatro meses e 20 dias de prisão pelos crimes cometidos contra Mayara.

 

A tentativa de homicídio ocorreu quando a vítima conseguiu escapar durante um trajeto de bicicleta. Ao pedir ajuda, ela acabou sendo atingida por golpes de faca, mas sobreviveu.

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Reaproximação após saída da prisão

Após deixar o sistema prisional, em abril de 2022, Claudinei procurou a família da ex-companheira para tentar retomar o contato com Olga.

 

Segundo a advogada, familiares do suspeito participaram das conversas e demonstraram interesse em reconstruir os laços entre pai e filha. Mayara decidiu permitir a aproximação porque a menina manifestava o desejo de conviver com o pai.

 

A defesa destacou, porém, que a convivência era limitada. Olga apenas realizava visitas durante o dia e retornava para casa ao final do período, sem permanecer na residência do pai durante a noite.

Investigação continua

Segundo Dayane Rodrigues, ainda não é possível afirmar com certeza qual foi a motivação do crime. No entanto, a suspeita de que Claudinei acreditava não ser o pai biológico da menina passou a integrar uma das principais linhas investigativas analisadas pela Polícia Civil.

 

A defesa da família espera que os novos elementos ajudem a esclarecer o que levou ao assassinato de Olga Beatriz e contribuam para a responsabilização do autor do crime.

 

O caso segue sob investigação da DHPP.

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