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VEJA VÍDEO: produtor é baleado no rosto durante cumprimento de arresto em lavoura em MT

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Polícia Militar registrou a ocorrência em Feliz Natal. Caminhonete foi apreendida para perícia, arma de vigilante foi recolhida e pistola usada nos disparos não foi localizada.

 

O produtor rural *Maikel Alan Tespesel, de 41 anos, foi baleado no rosto e no ombro durante uma confusão registrada na manhã desta sexta-feira (26), em uma estrada próxima à **Fazenda Rio Ferro, em **Feliz Natal*, a cerca de 30 quilômetros da cidade. A esposa dele e os dois filhos do casal estavam dentro da caminhonete no momento em que os tiros foram disparados.

 

O autor dos disparos, segundo a ocorrência policial, é *Renato Anzilago, de 46 anos, contratado pela parte autora de uma ação judicial para realizar a colheita de grãos que serviriam como arresto para garantir o pagamento de uma dívida discutida na Justiça. O processo citado no boletim é o de nº **1000542-25.2026.8.11.0093*.

 

De acordo com informações repassadas à reportagem, a dívida envolve a *Agrex do Brasil*, empresa ligada ao grupo japonês Mitsubishi. A ordem judicial autorizava o ingresso na propriedade para a colheita de grãos. A família afirma, no entanto, que a dívida estava sendo contestada porque, segundo eles, a empresa não teria cumprido integralmente entregas de insumos contratados para a safra.

 

O caso foi registrado inicialmente pela Polícia Militar como ocorrência de homicídio doloso, mas a narrativa descreve uma tentativa de homicídio, já que os envolvidos foram socorridos com vida.

O episódio aconteceu por volta das *9h40. Maikel conduzia uma **Toyota Hilux branca*, acompanhado da esposa e dos filhos, quando passou por uma caminhonete parada na beira da estrada. Um vídeo gravado por um dos filhos mostra o momento em que Renato desce do veículo armado e efetua disparos contra a caminhonete.

 

Dois tiros atravessaram o para-brisa e atingiram Maikel. Mesmo ferido, ele conseguiu dirigir até o *Pronto Atendimento Municipal de Feliz Natal, onde recebeu os primeiros cuidados médicos. Em seguida, foi transferido para atendimento hospitalar em **Sorriso*, onde passaria por procedimento para retirada dos projéteis.

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A esposa de Maikel relatou que a família estava apenas circulando pela propriedade para observar a lavoura. Segundo ela, não houve confronto anterior naquele momento. A mulher afirmou que o susto foi ainda maior porque os filhos estavam no veículo.

 

Conforme a narrativa da PM, Renato teria recebido a informação de que um maquinário agrícola poderia ter sido incendiado ou alvo de tentativa de incêndio. Ao visualizar Maikel transitando pela lavoura, ele passou a acompanhar a caminhonete e, ao tentar interceptá-la, parou com a intenção de conversar.

 

Ainda segundo o boletim, Renato alegou que Maikel teria direcionado a caminhonete contra ele, na tentativa de atropelá-lo. Na sequência, Renato, que estava com uma pistola, efetuou dois disparos contra o veículo. Após os tiros, Maikel atropelou Renato e fugiu do local em busca de socorro.

 

Durante a ação, uma vigilante que prestava serviço de segurança no local também efetuou um disparo com um revólver calibre .38 em direção ao pneu dianteiro da Hilux, na tentativa de impedir a saída do veículo.

 

Renato também ficou ferido após ser atingido pela caminhonete e foi levado ao *Hospital 13 de Maio*, em Sorriso. Conforme a PM, ele foi socorrido com apoio do oficial de Justiça que acompanhava o cumprimento da ordem judicial.

 

A Polícia Militar informou que a Hilux apresentava *duas marcas de tiros no para-brisa dianteiro* e danos no para-choque dianteiro do lado direito, provocados pela colisão com Renato. O veículo foi apreendido e encaminhado para a Polícia Civil, onde deverá passar por perícia.

 

A arma utilizada pela vigilante foi apreendida. Trata-se de um *revólver calibre .38*, da marca Taurus, acompanhado do certificado de registro federal da arma. Também foram recolhidas seis munições intactas e uma deflagrada.

 

Já a pistola que teria sido usada por Renato nos disparos contra Maikel não foi localizada. A PM informou que realizou diligências na lavoura e buscas no veículo usado para levar Renato ao hospital, mas a arma não foi encontrada.

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A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil de Feliz Natal, que deve apurar as circunstâncias do caso, a legalidade das armas utilizadas, a dinâmica dos disparos e a atuação dos envolvidos durante o cumprimento da ordem judicial.

 

*O que a Agrex fazia na área*

 

Renato teria sido contratado para atuar na colheita de *48.780 sacas de milho*, que serviriam como garantia judicial para o pagamento de uma dívida discutida entre o produtor e a multinacional.

 

A decisão judicial, segundo a família, autorizava a entrada na propriedade para colher e retirar os grãos. Embora o documento judicial mencione “soja”, a lavoura existente no local seria de milho. A defesa do produtor teria tentado reverter a medida por meio de recurso, mas a ordem acabou sendo cumprida.

 

A dívida teria origem em contrato de compra de insumos agrícolas. Maikel deveria pagar parte do acordo com a entrega de milho, mas a família afirma que a discussão judicial surgiu porque a empresa não teria entregue a quantidade total de insumos contratados em diferentes etapas da safra.

 

A esposa do produtor afirma que, na safra da soja, a família comprou uma quantidade de fósforo, mas teria recebido apenas parte do produto. Já na safra do milho, segundo ela, a compra envolveria ureia, mas a entrega também teria sido parcial. Por isso, a dívida estaria sendo contestada na Justiça.

 

A Agrex do Brasil foi procurada e, por meio de sua assessoria, informou que prioriza o relacionamento com seus clientes, que os fatos estão sob investigação e que colabora com as autoridades. A empresa não respondeu às perguntas específicas sobre a ordem judicial, a contratação de Renato e a operação de colheita na propriedade.

 

O vídeo do momento dos disparos foi encaminhado à Polícia Civil. O caso segue em investigação.

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