OPERAÇÃO FARISEUS
“Se eu te pego terça-feira”: relatório da Polícia Civil revela conversa íntima entre missionárias e preso na PCE-MT
Relatórios da Polícia Civil de Mato Grosso, produzidos durante a Operação Fariseus, revelaram conversas de teor íntimo entre integrantes do projeto evangélico “Resgatando Vidas” e presos apontados pela investigação como ligados a uma facção criminosa que atua no Estado.
Entre os diálogos analisados está uma conversa de 11 de maio de 2026, na qual Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida relata a Wiara Lima Cadore uma suposta fala atribuída a Renildo da Silva Rios, conhecido como “Velhote” ou “Chapa”, que está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) há mais de duas décadas.
Segundo o relatório, Renildo teria enviado a seguinte mensagem:
“Baixinha, você fica atiçando esse velhote. Ah, se eu te pego terça-feira.”
Na sequência, Wiara teria respondido:
“Terça vai ser toma toma.”
A própria Polícia Civil classificou o diálogo como de “evidente conotação pessoal e sexual” e relacionou a conversa a outros registros que, segundo os investigadores, indicariam vínculos afetivos e íntimos entre integrantes do projeto religioso e detentos.
Investigação aponta relações além da atividade religiosa
De acordo com a investigação, Rhavenna mantinha comunicação frequente com Renildo por meio de ligações e videochamadas, mesmo durante o período em que ele permanecia preso.
O relatório também reúne fotografias dos dois dentro da unidade prisional, além de registros de troca de presentes e outros benefícios que, segundo os investigadores, teriam sido destinados à missionária.
Para a Polícia Civil, os elementos analisados indicariam que a relação entre integrantes do projeto “Resgatando Vidas” e alguns presos teria ultrapassado a finalidade de assistência religiosa.
Grupo reunia mulheres ligadas ao projeto
As conversas foram encontradas em um grupo de WhatsApp chamado “As Faixa Rosa Evangélica”, administrado por Rhavenna e formado por mulheres ligadas ao trabalho de evangelização dentro da PCE.
Segundo a investigação, além de assuntos relacionados à atividade religiosa, o grupo teria sido utilizado para tratar de relacionamentos com presos, visitas, contatos, recados e supostos benefícios financeiros.
Entre as pessoas citadas no relatório estão Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araujo dos Anjos, Lais Barbosa Lopes e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, irmã de Rhavenna.
A Polícia Civil investiga ainda supostas movimentações financeiras envolvendo integrantes do grupo e terceiros. Segundo os investigadores, os recursos teriam sido utilizados, entre outras finalidades, para viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos.
Operação Fariseus
A Operação Fariseus foi deflagrada pela Polícia Civil em julho e investiga a atuação de integrantes de uma família que, segundo a apuração, utilizariam o projeto “Resgatando Vidas” para acessar unidades prisionais.
Conforme a investigação, o acesso destinado à assistência religiosa teria sido utilizado também para manter contato com presos, transmitir informações e prestar suposto suporte a integrantes de uma organização criminosa.
Rhavenna é apontada pelos investigadores como uma das principais personagens do esquema. Documentos reunidos no inquérito também registram imagens dela ao lado de Renildo dentro da unidade prisional.
Outro episódio citado na investigação envolve um furto ocorrido na residência de Rhavenna. Segundo o relatório, ela teria procurado integrantes da organização criminosa para pedir ajuda na localização do suspeito. Em uma das conversas, um interlocutor teria enviado a imagem de um homem amarrado.
Pai de Rhavenna morreu durante o processo
O pastor Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna, também havia sido investigado no caso. Ele, porém, não foi denunciado pelo Ministério Público porque morreu em 5 de setembro, em decorrência de câncer.
A Justiça determinou que o Ministério Público apresente a certidão de óbito para posterior deliberação no processo.
Já Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Lopes, citadas na investigação e indiciadas por falso testemunho, não fazem parte dos seis réus desta ação. Conforme decisão judicial, o Ministério Público informou que pretende analisar separadamente eventual acordo de não persecução penal envolvendo as quatro.
Rhavenna teve a prisão preventiva decretada em um procedimento cautelar separado. Segundo a decisão judicial, eventuais pedidos para revogação ou substituição da prisão deverão ser apresentados naquele processo específico.
As informações sobre os diálogos, relacionamentos e demais condutas mencionadas na reportagem são baseadas nos relatórios e conclusões apresentados pela Polícia Civil durante a investigação.
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