EL NIÑO

Alerta global: Super El Niño pode causar 451 mil mortes por calor e Brasil está entre os mais afetados

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Um possível episódio de Super El Niño poderá agravar os efeitos do calor extremo em diversas partes do planeta e provocar centenas de milhares de mortes adicionais. Uma projeção do Climate Impact Lab estima que aproximadamente 451 mil óbitos além do esperado podem estar relacionados às temperaturas elevadas.

Os números são projeções elaboradas a partir de modelos que relacionam variações de temperatura e mortalidade. Portanto, não representam mortes já registradas nem significam que todos esses óbitos necessariamente ocorrerão.

O cenário analisado indica que um Super El Niño poderá intensificar temperaturas já elevadas e aumentar a exposição de milhões de pessoas a condições perigosas de calor. Países com menor capacidade de adaptação aparecem entre os mais vulneráveis.

África concentra algumas das maiores projeções

O Sahel está entre as regiões que podem enfrentar os efeitos mais severos. Para o período entre setembro e fevereiro, a estimativa é de aproximadamente 66,8 mil mortes adicionais associadas ao calor em comparação com um ano considerado dentro da normalidade.

Somente na Nigéria, a projeção chega a 31,4 mil óbitos adicionais. O Sudão aparece com cerca de 17,5 mil, enquanto Níger e Chade registram estimativas de aproximadamente 10 mil e 8 mil, respectivamente.

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Outros países africanos, como República Democrática do Congo e Sudão do Sul, também figuram entre aqueles com números elevados nas projeções.

Sudeste Asiático também preocupa

Os efeitos das temperaturas extremas também poderão ser significativos na Ásia.

Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam uma estimativa de aproximadamente 19,4 mil mortes adicionais associadas ao calor. A Indonésia, isoladamente, aparece com projeção próxima desse patamar, chegando a 19,3 mil.

A Índia também está entre os países que podem registrar números expressivos, com aproximadamente 15,8 mil mortes adicionais estimadas.

Brasil pode registrar 13,3 mil mortes adicionais

Na América do Sul, o Brasil aparece com destaque no levantamento. A projeção indica aproximadamente 13,3 mil mortes adicionais relacionadas às temperaturas extremas.

Com esse número, o país aparece entre as dez nações com maiores estimativas no cenário analisado, ao lado de Nigéria, Indonésia, Sudão, Índia, República Democrática do Congo, Níger, Chade, Filipinas e Sudão do Sul.

Os dados reforçam a preocupação com os efeitos do calor principalmente sobre populações mais expostas e locais com menor infraestrutura para enfrentar períodos prolongados de temperaturas extremas.

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Projeções servem de alerta

Os pesquisadores ressaltam que os números apresentados são estimativas baseadas em modelos científicos e podem variar conforme a intensidade efetiva do fenômeno, as condições climáticas de cada região e as medidas adotadas para proteger a população.

Na avaliação do Climate Impact Lab, eventos extremos associados ao El Niño também ajudam a demonstrar como temperaturas atualmente consideradas excepcionais poderão ocorrer com maior frequência nas próximas décadas diante do avanço do aquecimento global.

Tamma Carleton, coautora do estudo e chefe de pesquisa do Climate Impact Lab, destaca que ações emergenciais durante períodos de calor intenso podem ajudar a diminuir o número de vítimas.

Além das respostas imediatas, os pesquisadores apontam a necessidade de investimentos permanentes em adaptação, infraestrutura e planejamento para preparar cidades e populações para temperaturas cada vez mais elevadas.

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