LIDER DA FACÇÃO

Angeliquinha é apontada como mandante de 80% dos homicídios de facção em MT, diz Polícia Civil

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A Polícia Civil de Mato Grosso aponta Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, de 34 anos, como responsável por ordenar cerca de 80% dos homicídios atribuídos a uma facção criminosa em Alta Floresta e municípios da região norte do estado.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (23) pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

Segundo o delegado, Angeliquinha ocupava uma posição de liderança dentro da organização criminosa e exercia influência sobre diferentes atividades ilegais na região.

“Ela é a líder da facção mesmo”, afirmou Victor Hugo ao explicar o papel atribuído à investigada.

Controle de diferentes atividades criminosas

Conforme as investigações, a atuação atribuída a Angeliquinha não estaria restrita aos homicídios.

A Polícia Civil afirma que ela também teria participação no controle do tráfico de drogas, na entrada e saída de armamentos e em extorsões relacionadas a garimpos.

A influência da organização, segundo a Draco, alcançaria áreas rurais, regiões de mata e locais de exploração garimpeira no extremo norte de Mato Grosso.

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Mais de 260 anos de condenações

Angeliquinha estava foragida desde agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

De acordo com a Polícia Civil, as condenações atribuídas a ela ultrapassam 260 anos de prisão. Entre os crimes estão homicídio, tráfico de drogas e participação em organização criminosa.

Além das condenações, a mulher possuía seis mandados de prisão em aberto.

Ela foi localizada e presa na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após mais de um ano sendo procurada pelas autoridades.

Quatro trabalhadores foram assassinados

Entre as condenações está uma pena de 99 anos e 11 meses de prisão relacionada à morte de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde, em 2022.

Segundo as investigações, as vítimas foram submetidas a tortura e posteriormente executadas depois de serem apontadas pelos criminosos como integrantes de uma facção rival.

Angeliquinha foi identificada durante as investigações como responsável por determinar a execução das vítimas.

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Família também é investigada

A Polícia Civil também apura a possível participação de familiares de Angeliquinha no esquema financeiro da organização criminosa.

Segundo o delegado Victor Hugo, parentes da investigada teriam sido beneficiados por valores provenientes das atividades ilegais.

O núcleo familiar foi alvo da Operação Showdown, deflagrada em março deste ano para investigar suspeitas de apoio à facção e lavagem de dinheiro.

Durante as investigações, os policiais identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em um período de um ano e sete meses. Segundo a Polícia Civil, os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos.

Prisão ocorreu na Bolívia

A captura de Angeliquinha foi resultado de uma operação conjunta envolvendo autoridades brasileiras e bolivianas.

Após a prisão, devem ser realizados os procedimentos necessários para o retorno da criminosa ao Brasil, onde deverá cumprir as ordens judiciais existentes contra ela.

A Polícia Civil continua investigando a atuação da organização criminosa e o possível envolvimento de outros integrantes nas atividades identificadas durante as operações.

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