CHOQUE LIBERAL

Flávio promete revogar impostos de Lula e Haddad e derrubar mais de mil normas

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Daniella Marques afirma que plano prevê rever tributos criados ou elevados no governo Lula, reduzir burocracia e promover ajuste fiscal sem cortar programas sociais

A equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República trabalha na elaboração de um amplo pacote de redução de impostos e desburocratização para um eventual governo. À frente das discussões está Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e atual coordenadora econômica da candidatura.

Entre as medidas estudadas está a revisão dos tributos que, segundo Marques, foram criados ou tiveram suas alíquotas elevadas durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Paralelamente, o grupo afirma já ter identificado mais de mil normas que poderiam ser eliminadas.

A proposta é diminuir o peso regulatório sobre empresas, trabalhadores e empreendedores, numa agenda econômica de perfil liberal e inspirada, em parte, nas medidas de desregulamentação adotadas na Argentina pelo governo de Javier Milei.

Durante participação em um seminário empresarial promovido pelo Grupo Esfera, em São Paulo, Daniella afirmou que técnicos ligados à campanha estão fazendo um levantamento das mudanças tributárias e regulatórias implementadas nos últimos anos.

“A gente trabalha na revogação e em voltar atrás em todos os impostos criados ou elevados pelo Haddad. O time está debruçado nisso e já temos mais de mil normas mapeadas para revogar”, declarou.

CONTAS PÚBLICAS NO CENTRO DA PROPOSTA

 

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A redução de impostos, porém, é apenas uma das frentes defendidas pela coordenadora econômica. Daniella sustenta que qualquer tentativa de diminuir de forma consistente os juros e estimular a economia depende primeiro do equilíbrio das contas públicas.

Ao criticar a condução fiscal do governo Lula, ela afirmou que o aumento descontrolado das despesas acaba atingindo principalmente a população de menor renda por meio da inflação.

“O presidente Lula tem sido muito irresponsável, principalmente com as pessoas mais simples, ao negar que existe um problema que é matemático”, disse.

Na avaliação da economista, uma redução artificial dos juros, sem condições fiscais que sustentem a medida, poderia provocar perda de confiança e novas pressões sobre os preços.

“Se você derruba os juros na caneta, desancora a inflação. E não existe nenhum imposto mais caro ao pobre do que a inflação”, afirmou.

Daniella resumiu a linha econômica defendida pela campanha com a frase: “Quem não cuida das contas não cuida das pessoas”.

A intenção, segundo ela, seria reorganizar as finanças federais para abrir espaço para uma redução sustentável das taxas de juros e melhorar o ambiente para investimentos, geração de empregos e crescimento econômico.

AJUSTE MIRARIA PRIVILÉGIOS E MÁQUINA PÚBLICA

Outro ponto defendido pela equipe é preservar os programas sociais durante um eventual processo de ajuste fiscal.

Em vez de concentrar cortes nos benefícios destinados à população mais vulnerável, a proposta apresentada por Daniella prevê revisar despesas da estrutura administrativa, privilégios e benefícios tributários considerados injustificados.

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“A nossa proposta vai ser focada em privilégios, tanto no enxugamento da máquina pública quanto nos privilégios tributários”, explicou.

Daniella Marques integrou a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro, comandada pelo então ministro Paulo Guedes, e posteriormente presidiu a Caixa Econômica Federal.

BANCO CENTRAL

A autonomia do Banco Central também aparece entre os pilares defendidos pela coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro.

Daniella sinalizou que, em um eventual governo, a instituição teria sua independência preservada, sem tentativa de interferência política sobre as decisões relacionadas à taxa básica de juros.

A posição estabelece uma diferença em relação às críticas feitas por Lula à política monetária e às taxas de juros ao longo de seu mandato.

Para a equipe de Flávio, a redução dos juros deve ocorrer como consequência de melhora nas contas públicas, controle da inflação e aumento da confiança na economia, e não por determinação política.

Com esse conjunto de propostas, a campanha pretende apresentar ao eleitorado uma plataforma econômica baseada em três eixos principais: redução da carga tributária, corte da burocracia e controle dos gastos públicos.

Caso o projeto avance em um eventual governo, a promessa é promover uma revisão ampla das medidas tributárias e regulatórias dos últimos anos, ao mesmo tempo em que a equipe econômica busca colocar as contas federais em trajetória de equilíbrio sem mexer nos principais programas sociais.

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