AÇÃO POLICIAL

Jovem chega bêbado a boate, sai a 177 km/h e mata motociclista em MT

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O intermediador de negócios Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por uma sequência de crimes que terminou com a morte do motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, em Cuiabá. Segundo a acusação, o jovem já chegou embriagado a uma boate da capital, foi expulso após uma discussão e, mesmo sem possuir habilitação, deixou o local dirigindo uma BMW em alta velocidade.

A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira (7) pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos, da 2ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital – Núcleo de Defesa da Vida. O MP acusa Hercílio de homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado, além de crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro relacionados à embriaguez ao volante, fuga do local do acidente e direção sem habilitação.

Segundo o Ministério Público, Hercílio chegou à boate Nuun Garden, em Cuiabá, na noite de 29 de agosto, já apresentando sinais claros de embriaguez. Funcionários teriam relatado que ele estava com falta de equilíbrio, fala arrastada, odor de álcool e comportamento agressivo.

Ainda conforme a denúncia, depois de consumir mais bebida alcoólica, o comportamento do jovem teria piorado. Ele discutiu com a esposa, quebrou um copo e acabou retirado do estabelecimento pelos seguranças. Ao deixar o local, teria saído alterado e reclamando da casa noturna.

Mesmo sabendo que havia ingerido álcool e que não possuía habilitação, Hercílio pegou a chave da BMW 530i e deixou o estacionamento de maneira abrupta, segundo o MP.

BMW chegou a 177 km/h em via de 50 km/h

A denúncia aponta que, ao passar pela Avenida Isaac Póvoas, o motorista avançou o sinal vermelho e atingiu a traseira da motocicleta conduzida por Guilherme Nunes Medeiros, que estava parado no semáforo.

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Com o impacto, Guilherme foi arremessado ao chão, mas sobreviveu. Segundo o Ministério Público, Hercílio não parou para prestar socorro e acelerou para fugir do local.

Ainda de acordo com a acusação, o próprio jovem teria relatado posteriormente à esposa que, por não possuir habilitação, tentou dirigir mais rápido para chegar em casa.

Pouco depois, às 0h45min47s, um equipamento de fiscalização registrou a BMW a 177 km/h, sendo 165 km/h a velocidade considerada após o desconto da margem de tolerância. O trecho tinha limite máximo de 50 km/h.

Cerca de 700 metros depois, ainda segundo a denúncia, o veículo mudou de faixa e atingiu a motocicleta conduzida por Paulo Messias Simão Costa.

A colisão foi extremamente violenta. Paulo foi lançado por mais de 10 metros, enquanto a motocicleta ficou presa momentaneamente à BMW e foi arrastada por aproximadamente 30 metros. O motociclista morreu ainda no local.

Motorista abandonou BMW e fugiu a pé

O Ministério Público afirma que Hercílio novamente não parou para prestar socorro. Ele seguiu até as proximidades do Hospital Municipal Santa Casa, abandonou a BMW ainda ligada e fugiu a pé em direção ao Morro da Luz.

O jovem só se apresentou à polícia quatro dias depois. Com isso, não foi mais possível verificar naquele momento o estado de alcoolemia dele.

Para o MPMT, o caso não pode ser tratado apenas como um acidente de trânsito. A promotora sustenta que o denunciado teria assumido conscientemente o risco de provocar uma morte ao dirigir após consumir álcool, sem habilitação e em velocidade extremamente elevada, inclusive depois de já ter atingido uma primeira vítima.

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A acusação afirma que a forma como o veículo foi conduzido colocou em risco não apenas os dois motociclistas envolvidos nas colisões, mas também outras pessoas que circulavam pela avenida.

O MP também destacou que a BMW já havia recebido, nas semanas anteriores à tragédia, diversas autuações por excesso de velocidade em Cuiabá. Conforme a denúncia, o veículo teria sido flagrado a até 150 km/h em vias com limites entre 40 km/h e 60 km/h, principalmente durante a noite e a madrugada.

MP pede julgamento pelo Tribunal do Júri

Hercílio foi denunciado por homicídio qualificado pela morte de Paulo e por tentativa de homicídio qualificado em relação a Guilherme, além das infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

A promotora sustenta que os crimes foram cometidos mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas, já que os motociclistas trafegavam regularmente e foram atingidos por trás.

No caso da morte de Paulo, o Ministério Público também apontou as qualificadoras de perigo comum e de homicídio praticado para assegurar a impunidade de outro crime.

A acusação pediu que Hercílio seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, além da fixação de um valor mínimo de R$ 1 milhão para reparação dos danos causados às vítimas e familiares.

O MP também requereu que, em caso de condenação, seja aplicada a inabilitação para dirigir veículos automotores.

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