CINCO AÇÕES JUDICIAIS
Médico que operou jovem morta em MT é alvo de 5 ações por complicações em cirurgias plásticas
Lurdes Padilha, de 24 anos, morreu durante procedimentos estéticos em Cuiabá; médico não tem registro de especialidade em cirurgia plástica no CFM e é investigado pelo Conselho Regional de Medicina
O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pelas cirurgias plásticas durante as quais Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, morreu em Cuiabá, é alvo de pelo menos cinco ações judiciais movidas por pacientes que relatam complicações após procedimentos estéticos. Além disso, uma consulta ao cadastro público do Conselho Federal de Medicina (CFM) não aponta registro de especialidade em cirurgia plástica em nome do profissional.
Os processos mencionam relatos de infecções, dores intensas, cicatrizes, deformidades e necessidade de novas intervenções cirúrgicas. Três ações continuam em andamento. Uma foi encerrada após a desistência da paciente, enquanto outra teve o pedido de indenização negado pela Justiça.
O médico possui registro regular no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) desde 2005 e também está inscrito regularmente no conselho da Bahia. No entanto, no campo destinado às especialidades, o cadastro do CFM informa que ele é um “médico sem especialidade registrada”.
A ausência de Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica também aparece entre os questionamentos apresentados por pacientes em ações judiciais.
Pacientes relatam complicações após procedimentos
Entre os processos analisados estão casos envolvendo rinoplastia, colocação e troca de próteses mamárias, além de cirurgias estéticas corporais. As ações apresentam versões das pacientes sobre os resultados dos procedimentos e os atendimentos posteriores.
Em um dos casos, uma mulher relatou dores intensas durante uma rinoplastia realizada em janeiro de 2015. Segundo a ação, após a cirurgia, ela enfrentou sangramentos, dificuldades para respirar e alterações na aparência do nariz.
A paciente afirmou que uma segunda intervenção não resolveu o problema e que precisou procurar outra médica para realizar uma cirurgia reparadora. O procedimento de reconstrução, realizado em fevereiro de 2016, durou aproximadamente sete horas e utilizou cartilagem retirada da orelha direita.
O processo tramita na 4ª Vara Cível de Várzea Grande e aguarda perícia para esclarecer se houve erro médico. Ainda não há decisão definitiva sobre a responsabilidade do profissional nesse caso.
Paciente relata infecção e retirada de próteses
Outra ação envolve uma cirurgia para colocação de implantes mamários realizada em janeiro de 2015. Conforme o relato apresentado à Justiça, a paciente começou a sentir fortes dores e apresentou inchaço e saída de líquido com odor intenso dias após o procedimento.
Ela afirmou que, mesmo após curativos e uma nova intervenção, a infecção persistiu. Segundo a ação, os pontos se abriram e uma das próteses começou a sair pela abertura na mama.
A mulher relatou que os dois implantes foram retirados e que permaneceu cerca de seis meses sem as próteses, até passar por uma nova cirurgia. Ainda de acordo com o processo, foram necessárias outras intervenções, incluindo um procedimento para drenar uma infecção e realizar suturas.
A paciente afirmou ter enfrentado aproximadamente 18 meses de limitações, com dificuldades para trabalhar e realizar atividades cotidianas. Ela também relatou cicatrizes, sofrimento emocional e um quadro de depressão que atribuiu às complicações.
Nesse caso, a paciente desistiu da ação após a Justiça negar o pedido de gratuidade.
Justiça negou indenização em outro processo
Uma terceira ação envolve uma cirurgia de correção e troca de próteses mamárias realizada em agosto de 2013, em Cuiabá.
A paciente alegou insatisfação com as cicatrizes, dores, infecção e cobranças extras. Também sustentou que precisaria passar por outra cirurgia reparadora, cujo orçamento apresentado previa R$ 16 mil apenas em honorários médicos.
A mulher afirmou ainda que teve dificuldades para retomar o trabalho em um salão de beleza e precisou de acompanhamento psiquiátrico.
A 6ª Vara Cível de Cuiabá negou o pedido de indenização contra o médico e a clínica por entender que não ficou comprovado erro médico naquele procedimento.
Outras duas ações seguem em andamento
Um quarto processo envolve uma profissional da área da saúde que afirma ter ficado com assimetrias e deformidades após cirurgias estéticas realizadas em 2016. Anos depois, ela procurou novamente o médico para tentar corrigir os resultados.
Segundo a ação, a paciente pagou antecipadamente R$ 23 mil por uma nova intervenção, mas relatou abertura de pontos, lesões, inflamações e problemas de cicatrização, principalmente na região dos flancos. Ela também afirmou que o resultado ficou distante do esperado e que enfrentou dificuldades para conseguir consultas de acompanhamento.
O processo tramita na 6ª Vara Cível de Cuiabá.
O quinto caso é mais recente e envolve uma mulher que afirma ter economizado durante anos para realizar cirurgias estéticas. O contrato previa procedimentos como abdominoplastia, flancoplastia, lipoaspiração e mastopexia, pelo valor de R$ 40 mil. Segundo a paciente, R$ 30 mil foram pagos antecipadamente.
Na ação, ela sustenta que parte dos procedimentos contratados não teria sido realizada e relata dificuldades para obter acompanhamento médico, além de reações alérgicas após a cirurgia.
A mulher também acusa o médico de tê-la destratado durante uma consulta. Conforme sua versão, o episódio provocou medo e a levou a desistir dos demais procedimentos previstos no contrato.
O processo tramita na 2ª Vara Cível de Várzea Grande e ainda não tem sentença. Até o momento do levantamento, o pedido do médico para que os autos fossem colocados sob sigilo não havia sido analisado.
As alegações apresentadas nas ações judiciais não representam, por si só, comprovação de erro médico. Cada processo tem andamento e decisões próprias, e parte dos casos ainda depende de análise judicial.
Médico divulgava cirurgias estéticas nas redes sociais
Em seu perfil no Instagram, Euller Preza se apresentava como médico de contornos corporais e divulgava a realização de cirurgias estéticas em Cuiabá e Porto Seguro, na Bahia. Segundo a reportagem que levantou as informações, essas referências já não apareciam na biografia do perfil.
A reportagem tentou contato com o médico e com seu advogado para obter posicionamento sobre a ausência de registro de especialidade e os relatos apresentados pelas pacientes. Até o fechamento da matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
Jovem morreu durante lipoescultura e colocação de silicone
Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, morreu na sexta-feira (16), durante procedimentos de lipoescultura e colocação de próteses mamárias no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá. Ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e, segundo as informações divulgadas, as tentativas de reanimação duraram aproximadamente duas horas.
Casada e mãe de dois filhos, a jovem morreu durante o atendimento hospitalar. As circunstâncias da intercorrência e da morte serão apuradas pelos órgãos competentes.
Após receberem a notícia, familiares teriam confrontado o médico. De acordo com a assessoria jurídica de Euller, ele levou um soco no rosto e registrou boletim de ocorrência por agressão e ameaça de morte.
Em nota, a defesa afirmou que o procedimento ocorreu em ambiente hospitalar, após avaliações pré-operatórias, e que a equipe identificou uma intercorrência súbita, interrompeu a cirurgia e iniciou imediatamente as manobras de reanimação.
A defesa também declarou que o médico possui inscrição regular no CRM e argumentou que a ausência de RQE não o impede de realizar atos médicos, inclusive cirúrgicos. A causa da morte deverá ser esclarecida pelos órgãos oficiais.
CRM-MT abre investigação
Neste sábado (17), o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso anunciou a abertura de uma sindicância de ofício para apurar as circunstâncias do atendimento e da morte de Lurdes.
Segundo o conselho, o procedimento tramitará sob sigilo. O CRM-MT ressaltou que a abertura da investigação não representa condenação prévia do profissional.
A Polícia Civil também investigará o caso.
O velório de Lurdes foi previsto para começar às 18h deste sábado, na Capela Jardins, em Cuiabá. A saída para o sepultamento estava prevista para as 15h de domingo (18). Até o momento das informações divulgadas, a família não havia informado o local do sepultamento.
-
LUCAS DO RIO VERDE3 dias agoExclusivo: vídeo mostra momento em que homem esfaqueia vítima durante confusão; um morreu e três ficaram feridos
-
LUCAS DO RIO VERDE4 dias agoBriga durante bebedeira termina com um morto, quatro esfaqueados e homem preso em Lucas
-
LUCAS DO RIO VERDE3 dias agoExclusivo: vídeo mostra homem arrastando adolescente e desferindo vários golpes de faca; vítima morreu
-
LUCAS DO RIO VERDE6 dias agoSaiba quem é a mulher morta com 16 facadas pelo ex-companheiro em MT
-
LUCAS DO RIO VERDE4 dias agoLucas do Rio Verde: juiz aciona MPs após comentários pedirem expulsão de nordestinos de MT e caso pode virar investigação por xenofobia
-
LUCAS DO RIO VERDE3 dias agoExclusivo: suspeito de matar adolescente a facadas deixou filha de 4 anos sozinha em casa
-
LUCAS DO RIO VERDE4 dias agoHomem chama esposa de “vagabunda” e “safada” e a espanca com cabo de vassoura em Lucas
-
CIDADES4 dias agoVídeo mostra duas mulheres seminuas para fora de carro em movimento em MT; veja