CÂNCER

Morte de Benito di Paula aos 84 anos acende alerta sobre câncer silencioso que afeta milhares de homens

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Cantor enfrentava a doença havia cerca de um ano; especialistas explicam por que o câncer de próstata pode evoluir sem sintomas e destacam a importância da avaliação médica

A morte do cantor, compositor e pianista Benito di Paula, aos 84 anos, nesse domingo (18), em São Paulo, chamou a atenção para o câncer de próstata, uma das doenças oncológicas mais frequentes entre os homens. Conhecido por sucessos como Retalhos de Cetim e Charlie Brown, o artista estava internado no Hospital 9 de Julho e enfrentava a doença havia aproximadamente um ano.

Um dos principais desafios do câncer de próstata é que ele pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, a ausência de dor ou de alterações urinárias não significa necessariamente que a saúde da próstata esteja em dia.

Segundo o urologista Mauricio Zambaldi Tunes, muitos homens só procuram atendimento quando percebem algum desconforto, o que pode atrasar a investigação de determinadas doenças.

O especialista destaca que a avaliação deve considerar fatores como idade, histórico familiar e condições gerais de saúde. A decisão sobre exames preventivos precisa ser discutida individualmente entre médico e paciente.

Por que o câncer de próstata pode ser silencioso?

Localizada abaixo da bexiga, a próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino. O câncer surge quando células da região passam a se multiplicar de forma descontrolada. Alguns tumores crescem lentamente, enquanto outros podem apresentar comportamento mais agressivo.

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Quando aparecem, sintomas como dificuldade para urinar, jato urinário fraco e aumento da frequência das idas ao banheiro precisam ser investigados. No entanto, essas alterações também podem estar relacionadas à hiperplasia prostática benigna, condição caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata.

O urologista Mark Neumaier explica que sintomas urinários não indicam, necessariamente, a presença de câncer. A investigação médica é importante para identificar a causa correta e definir a conduta adequada.

Quais exames ajudam no diagnóstico?

A investigação pode envolver a dosagem do PSA, exame de toque retal e ressonância magnética. Quando há indicação, também pode ser realizada uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

O PSA, isoladamente, não confirma a existência de câncer, pois seus níveis podem se alterar por diferentes condições da próstata.

O rastreamento deve levar em conta os possíveis benefícios da identificação precoce de tumores relevantes, mas também os riscos de resultados falso-positivos, procedimentos desnecessários e tratamentos de doenças que talvez nunca causassem sintomas.

De acordo com Mauricio Zambaldi Tunes, identificar precocemente determinados tumores pode ampliar as possibilidades de tratamento, especialmente quando a doença ainda está localizada. Entretanto, a indicação dos exames deve ser individualizada.

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Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento depende de fatores como estágio da doença, agressividade do tumor, idade, expectativa de vida e condições clínicas do paciente.

Em alguns casos de baixo risco, a vigilância ativa, com acompanhamento médico periódico, pode evitar intervenções desnecessárias. Quando há indicação de tratamento, as opções incluem cirurgia e radioterapia. Em situações específicas, podem ser considerados tratamentos focais.

Nos casos mais avançados, também podem ser utilizadas terapias hormonais e outros tratamentos sistêmicos.

A escolha deve considerar não apenas o controle da doença, mas também os possíveis impactos na continência urinária, na função sexual e na qualidade de vida.

Idade avançada exige avaliação individualizada

O risco de câncer de próstata aumenta com o envelhecimento, mas a idade, sozinha, não determina o tratamento. Em pacientes idosos, os médicos também avaliam a saúde geral, outras doenças, a agressividade do tumor e as preferências do paciente.

Benito di Paula tinha 84 anos e enfrentava a doença havia cerca de um ano. Até o momento, não foram divulgados detalhes suficientes sobre o estágio do câncer ou os tratamentos realizados pelo artista.

Especialistas reforçam que o acompanhamento médico é importante para avaliar os riscos individuais e definir a melhor estratégia de prevenção, investigação ou tratamento.

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