CRIME ORGANIZADO
Apontado como “patrão” do Comando Vermelho, Federal é preso em MT; investigação revela movimentação de R$ 661 mil e suspeita de vazamento de operações
Sebastião da Silva é investigado por comandar a distribuição de drogas, controlar arrecadações milionárias e coordenar integrantes da facção criminosa em Mato Grosso.
Sebastião da Silva, conhecido como “Federal”, apontado pelas investigações como um dos gerentes do Comando Vermelho em Mato Grosso, foi preso preventivamente nesta segunda-feira (19), durante a Operação Ad Rem, deflagrada como desdobramento da Operação Ruptura CPX. A prisão ocorreu na residência do investigado, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.
As investigações revelaram indícios de que Federal exercia uma posição de liderança dentro da organização criminosa, sendo responsável pelo controle financeiro, distribuição de entorpecentes, gerenciamento de pontos de venda e supervisão de outros integrantes. Os investigadores também identificaram suspeitas de que ele recebia informações antecipadas sobre operações policiais, posteriormente repassadas a membros da facção para evitar apreensões de drogas e prejuízos financeiros.
A Operação Ad Rem também tem como objetivo atingir o patrimônio supostamente vinculado às atividades criminosas. Nesta fase, as investigações alcançaram quatro imóveis em Várzea Grande e uma chácara localizada na região do Rio dos Peixes, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.
Segundo a investigação, existem indícios de utilização de familiares e terceiros para ocultar bens e valores. Entre as transações identificadas está a negociação de uma propriedade rural por aproximadamente R$ 180 mil, dos quais R$ 100 mil teriam sido pagos em dinheiro.
A análise financeira apontou cerca de R$ 661 mil em movimentações relacionadas às atividades investigadas durante um dos períodos examinados.
Somente em março deste ano, a arrecadação dos pontos de atuação da facção, conhecidos como “quebradas”, teria alcançado R$ 475,8 mil. Outros R$ 185.917 foram identificados em registros associados às expressões “madeira” e “feijão”, que, conforme os investigadores, seriam utilizadas para se referir à comercialização de entorpecentes.
A investigação identificou um grupo denominado “Central MT”, composto por 147 integrantes, que supostamente atuavam em diferentes regiões e pontos de comercialização de drogas.
Mensagens extraídas de aparelhos celulares indicam que Sebastião recebia prestações de contas, determinava transferências bancárias, acompanhava estoques e repassava ordens aos demais integrantes. Ele também teria compartilhado o estatuto interno do Comando Vermelho de Mato Grosso.
Em uma das conversas analisadas, os investigadores identificaram referências à distribuição de 10 quilos de entorpecentes na região de Bom Sucesso, pelo valor de R$ 12 mil, além de 40 quilos destinados ao bairro Nova Esperança.
Outras mensagens mencionavam 486 quilos de drogas já distribuídos em diferentes pontos da cidade. Em vídeos encaminhados ao investigado, um comparsa relatava que 400 quilos de entorpecentes haviam sido distribuídos entre as “quebradas”, enquanto outros 296,85 quilos permaneciam armazenados para futuras entregas.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a suspeita de que Federal tinha acesso antecipado a informações sobre operações policiais.
De acordo com os relatórios, essas informações eram supostamente repassadas aos integrantes da organização criminosa para que redobrassem a atenção e evitassem apreensões de drogas, prisões e perdas financeiras.
A investigação também apontou que Sebastião realizava ações assistenciais em comunidades, incluindo a distribuição de cestas básicas. Para os investigadores, a prática aparentemente tinha como finalidade ampliar sua influência e fortalecer a presença da organização criminosa nessas localidades.
Sebastião já havia sido preso durante a Operação Ruptura CPX, deflagrada em março deste ano, mas conseguiu posteriormente a revogação da prisão preventiva. Na ocasião, sua defesa argumentou que ele seria apenas um “laranja”, utilizado por terceiros para movimentações financeiras.
Entretanto, com o aprofundamento das investigações e a análise de novas provas, a polícia identificou indícios de que ele desempenhava funções de comando dentro da facção, incluindo administração financeira, concessão de empréstimos, cobranças e fiscalização de outros integrantes.
Ao analisar o pedido de prisão preventiva, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra considerou que os elementos apresentados demonstravam a existência de indícios suficientes de participação do investigado em organização criminosa.
O magistrado destacou que Sebastião aparecia nas conversas como destinatário de prestações de contas, responsável pelo controle de estoques e distribuição de drogas, além de ser tratado por outros integrantes como “Patrão”.
“A gravidade concreta da conduta e o risco de continuidade da atividade, mais que suficientemente demonstrados nestes autos, impõem a medida para a garantia da ordem pública”, afirmou o juiz na decisão.
Diante dos elementos apresentados, a Justiça determinou a nova prisão preventiva de Sebastião, considerando o risco de continuidade das atividades criminosas e a necessidade de garantir a ordem pública.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos, rastrear movimentações financeiras e esclarecer a possível origem das informações policiais que teriam chegado antecipadamente à organização criminosa.
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