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Juíza manda Google apagar menções a cuiabana em sites pornôs

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A juíza Sinii Savana Ribeiro, da 9ª Vara Cível de Cuiabá, determinou que o site de pesquisa Google retire do ar qualquer menção ao nome de uma gente comercial cuiabana relacionado a vídeos e imagens íntimas em sites pornográficos.

 

 

                                                           

 

Ela foi vítima de chantagem após cair em um golpe durante um relacionamento com um carioca, há dez anos (leia abaixo).

 

 

Pela liminar, o site de busca terá que retirar qualquer menção ao nome dela associado às imagens íntimas e a sites pornográficos, no prazo de cinco dias após a notificação, sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil.

 

 

No pedido de mérito, a defensora pública Kelly Christina Veras Otácio Monteiro, que moveu a ação, pede que a mulher seja indenizada pelo Google no valor de 200 salários mínimos – ou mais de R$ 200 mil -, por danos morais.

 

 

Segundo informações da Defensoria, em maio deste ano, a mulher foi avisada por um colega de trabalho que dois vídeos dela estavam no site pornográfico XVideos e haviam sido baixados e circulavam entre os colegas do trabalho. 

 

 

“Em 2018 foi inserido o artigo 218 no Código Penal, que torna crime oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio, foto, vídeo, audiovisual que tenha cena de estupro, ou algo que induza à sua prática ou cenas de sexo, nudez e pornografia, sem o consentimento da vítima”, explicou a defensora.

 

 

Registro de B.O.

 

 

De posse das informações, ela procurou a Polícia Civil, por meio de Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia (Gecat), onde fez os primeiros relatos. 

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Lá mostrou que seus vídeos foram postados nos maiores sites de pornografia, em 80 links diferentes, além de ter links com seu nome, direcionando para esses sites, quando o digitavam na busca da Google. 

 

 

Com ajuda da Gecat, ela conseguiu que os vídeos fossem retirados dos principais sites. E a investigação foi passada para a Delegacia da Mulher.

 

 

A partir do endereço de e-mail que ela usava na época das conversas, a Polícia tentará identificar o hacker, que segundo ela afirma, usou o nome de um fisiculturista famoso nas mídias sociais, e identificar os responsáveis por baixar os vídeos em Cuiabá e fazer o anúncio de prostituição. 

 

 

“É uma situação muito humilhante em todos os sentidos, na delegacia, no trabalho… O preconceito e o julgamento contra a vítima desses crimes é muito grande”, disse a gerente comercial.

 

 

A empresa onde ela trabalha a apoiou e a afastou nos primeiros dias. E em reunião com os outros funcionários, explicou que o caso estava na Polícia Civil e na Justiça e que, quem distribuísse o vídeo internamente, poderia ser processado. 

 

 

“Vou identificar os que baixaram e fizeram o anúncio e esses, vou processar. Tenho um filho de 13 anos e um de quatro e meu pânico era que o adolescente descobrisse”, afirmou.

 

 

Pesadelo

 

 

Segundo a gerente comercial, o caso teve início há dez anos, quando conheceu pelo Orkut um carioca. Eles começaram a se relacionar virtualmente e um ano depois dos primeiros contatos, ele pediu que ela se mostrasse.

 

 

“Depois disso, pedi que ele viesse para Cuiabá para nos conhecemos, o pressionei e ele sumiu por três meses. Quando voltou, veio dizendo que era um hacker e que se eu não o ajudasse a criar 20 perfis falsos no Orkut e 20 e-mails falsos, para atrair mulheres, ele exporia minhas imagens”, contou a mulher à Defensoria Pública.

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A mulher afirmou que se negou e pediu para um amigo de Tecnologia de Informação a ajudasse. 

 

 

“Esse amigo olhou meu computador disse que tinha um programa espião instalado, o que permitia a ele acessar meus dados. Ele conversou com o homem, como se fosse eu, dizendo que iria à Polícia. Então, ele falou que tinha mais de 100 vídeos de mulheres de todo o País e os boletins de ocorrência delas. E que se eu procurasse a polícia, não daria em nada, não era crime. Que ele tinha meu endereço e eu que perderia com a exposição”.

 

 

A gerente diz que ambos conversaram por mais um tempo, ele fazendo as ameaças, até que ela disse que ele poderia fazer o que quisesse com as imagens. 

 

 

Precaução

 

 

O coordenador de Inteligência e Segurança Institucional da Defensoria Pública, Fernando Lopes, alerta que a primeira providência a ser tomada por uma vítima de compartilhamento fotos íntimas, sem autorização, é procurar a Polícia Civil e registrar o crime.

 

 

Ele afirma que esse é um momento de extrema importância para falar sobre o tema, pois a pandemia nos afastou fisicamente e ampliou nosso contato por meios tecnológicos.

 

 

“O período nos levou a maximizar o uso da tecnologia e é importante que as pessoas se preservem, evitando expor intimidades para pessoas desconhecidas e mesmo conhecidas, das quais não se tem certeza sobre a índole. Ao ter contato virtual e desenvolver afinidades, é fundamental saber onde a pessoa trabalha, o telefone dela, o e-mail, investigar o máximo para saber se a pessoa é de verdade ou ser quem diz. O ideal é não compartilhar, mas ao fazer, tomar cuidados para não cair nas mãos de criminosos”.

Fonte: Midia News

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