SAÚDE
NA ÍNDIA: Fungo negro: infecção rara tem “mutilado” pacientes de Covid
Um fungo raro e perigoso tem “mutilado” pacientes de coronavírus na Índia. A infecção, chamada de mucormicose, é causada pela exposição a um tipo de mofo comumente encontrado no solo, plantas, esterco, frutas e vegetais em decomposição. De acordo com médicos indianos, os casos estão se tornando mais numerosos no país e entre a população mais jovem.
Na manhã de sábado (8/5), Akshay Nair, um cirurgião de olhos de Mumbai, na Índia, estava esperando para operar uma mulher de 25 anos que havia se recuperado de Covid-19 três semanas antes. Dentro da sala de cirurgia, a paciente diabética já estava sendo submetida a outro procedimento, por um otorrinolaringologista.
Ele havia inserido uma cânula em seu nariz e estava removendo tecidos infectados com mucormicose, uma infecção fúngica rara, mas perigosa. Essa doença agressiva afeta o nariz, os olhos e, às vezes, o cérebro.
Depois que seu colega terminasse, Nair realizaria uma cirurgia de três horas para remover o olho do paciente. “Vou remover o olho para salvar a vida dela”, explicou ele à BBC News.
Como a doença age?
A doença afeta os seios da face, o cérebro e os pulmões e pode ser fatal em diabéticos ou em indivíduos gravemente imunodeprimidos, como pacientes com câncer ou pessoas com HIV/Aids.
O médico diz acreditar que a mucormicose, que tem uma taxa de mortalidade geral de 50%, pode ser desencadeada pelo uso de esteroides, um tratamento que salva vidas para pacientes graves com Covid-19 e criticamente doentes.
Os esteroides reduzem a inflamação nos pulmões e parecem ajudar a interromper alguns dos danos que podem ocorrer quando o sistema imunológico do corpo entra em atividade para combater o novo coronavírus.
Mas acabam por reduzir a imunidade e aumentam os níveis de açúcar no sangue em pacientes diabéticos e não diabéticos com Covid-19.
Acredita-se que essa queda na imunidade possa estar desencadeando esses casos de mucormicose.
“Mutilação”
Os médicos dizem que a maioria de seus pacientes busca tratamento médico tarde demais, quando já estão perdendo a visão. Como resultado, eles precisam remover cirurgicamente o olho para impedir que a infecção alcance o cérebro.
Algumas vezes, contam, os pacientes perderam a visão em ambos os olhos. E, em casos raros, os médicos precisam remover cirurgicamente o osso da mandíbula para impedir que a doença se espalhe.
Uma injeção intravenosa antifúngica que custa 3,5 mil rúpias (R$ 250) a dose e tem que ser administrada todos os dias por até oito semanas é o único medicamento eficaz contra a doença.
Uma forma de impedir a possibilidade de infecção fúngica é garantir que os pacientes com Covid-19 — tanto no tratamento quanto após a recuperação — recebam a dose e a duração corretas de esteroides, diz Rahul Baxi, diabetologista de Mumbai.
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