20 ANOS DE UMA TRAGÉDIA HISTÓRICA

Tragédia que matou 154 pessoas na queda de avião da Gol em MT completa 20 anos e ainda marca o país

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Vinte anos depois de uma das maiores tragédias da história da aviação brasileira, as lembranças do acidente com o voo 1907 da Gol continuam vivas entre os profissionais que participaram das buscas e da retirada das vítimas em uma região isolada de Mato Grosso. A operação mobilizou centenas de militares, médicos, bombeiros, peritos e equipes de apoio, que enfrentaram condições extremas para localizar os 154 mortos.

O acidente aconteceu em 29 de setembro de 2006, quando um Boeing 737-800 da Gol colidiu no ar com um jato executivo Legacy 600 enquanto sobrevoavam o norte de Mato Grosso. O avião comercial caiu em uma área de mata fechada, e ninguém a bordo sobreviveu. Os sete ocupantes do Legacy conseguiram pousar em segurança.

Duas décadas depois, a tragédia permanece marcada na memória do país e na história da aviação brasileira. A operação de busca e salvamento também ficou registrada como uma das mais complexas já realizadas no Brasil. <Cite refs={“turn355151news10″,”turn355151search3″”turn355151news10″,”turn355151search3”}/>

Destroços foram encontrados em área de difícil acesso

O Boeing havia decolado de Manaus (AM) com destino ao Rio de Janeiro (RJ), com escala prevista em Brasília (DF). A bordo estavam 148 passageiros e seis tripulantes.

Durante o voo, a aeronave colidiu com o Legacy. O impacto danificou a asa esquerda do Boeing, que perdeu o controle e caiu em uma região de vegetação densa, nas proximidades de Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso.

Os destroços foram localizados no dia seguinte. A dificuldade de acesso ao local exigiu o uso de helicópteros e uma estrutura logística especial para que as equipes conseguissem chegar à área e retirar as vítimas.

Segundo registros da Força Aérea Brasileira (FAB), a operação envolveu militares especializados em busca e salvamento, além de profissionais de diferentes áreas. Em determinados pontos, integrantes das equipes precisaram descer de helicópteros por rapel para alcançar os destroços. <Cite refs={“turn355151search3″,”turn355151search17″”turn355151search3″,”turn355151search17”}/>

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Resgate mobilizou equipes durante semanas

A Fazenda Jarinã serviu como um dos principais pontos de apoio da operação. De lá, os helicópteros transportavam equipes para a região do acidente e auxiliavam na retirada das vítimas.

Nos primeiros momentos, ainda existia a expectativa de encontrar sobreviventes. Entretanto, conforme as equipes avançavam pela mata e identificavam a dimensão da destruição, ficou evidente que não havia sobreviventes entre os ocupantes do Boeing.

O médico Iuri Tamasauskas, que na época tinha 25 anos e era tenente médico da Aeronáutica, esteve entre os profissionais enviados à região. Segundo o relato apresentado no material original, ele permaneceu 26 dias na operação e acompanhou o trabalho de localização e remoção das vítimas.

O trabalho era dificultado pelo calor, pela umidade, pela vegetação fechada e pela distância entre os pontos onde os destroços e os corpos estavam espalhados.

Objetos pessoais ficaram espalhados pela floresta

A força da colisão espalhou partes da aeronave, corpos e objetos pessoais por uma extensa área de mata. As equipes precisavam percorrer o terreno a pé, localizar as vítimas e organizar pontos de retirada para os helicópteros.

Entre os objetos encontrados estavam malas, documentos, fotografias, poltronas e utensílios utilizados durante a viagem. Os vestígios revelavam a dimensão do impacto e tornavam o trabalho ainda mais difícil para os profissionais envolvidos.

Uma das lembranças relatadas pelo médico foi a localização de uma mulher junto a um bebê, uma cena que permaneceu marcada entre as recordações da missão.

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Floresta fechada dificultou o trabalho

O então comandante do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), Mariano Mattos do Nascimento, também participou das primeiras ações.

Segundo os relatos da operação, a altura das árvores e a densidade da vegetação dificultavam a identificação do ponto exato da queda durante os voos de reconhecimento.

As equipes precisavam observar alterações na copa das árvores e sinais dos destroços para localizar os pontos de interesse. Como não havia acesso terrestre adequado, o reconhecimento aéreo se tornou fundamental para orientar os trabalhos.

A operação também exigiu integração entre diferentes instituições, com militares, profissionais de saúde, bombeiros, peritos e equipes de apoio atuando de forma coordenada.

Investigação apontou falhas operacionais

A colisão entre o Boeing da Gol e o Legacy também provocou uma longa investigação sobre as circunstâncias do acidente.

O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) identificou fatores relacionados à operação das aeronaves e ao controle de tráfego aéreo. Entre os pontos analisados estava a interrupção da transmissão do transponder do Legacy, equipamento importante para a identificação da aeronave e para o funcionamento do sistema anticolisão TCAS.

O caso teve consequências para o setor aéreo brasileiro e motivou discussões sobre procedimentos, comunicação entre pilotos e controladores e segurança de voo. <Cite refs={“turn355151news10″,”turn355151search5″”turn355151news10″,”turn355151search5”}/>

A missão só terminou após a localização das 154 vítimas

A operação se estendeu por semanas. Conforme a Força Aérea Brasileira, a missão foi oficialmente encerrada 54 dias depois do acidente, após a confirmação da identificação da 154ª vítima.

O trabalho foi marcado pelo esforço das equipes para localizar e retirar todos os mortos, permitindo que as famílias recebessem seus entes queridos.

 

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