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Como será o clima no Brasil em janeiro? – MAIS SOJA
A nutrição adequada é um dos pilares para garantir altas produtividades na cultura da soja. O entendimento sobre como a planta absorve, redistribui e utiliza os nutrientes ao longo do ciclo de desenvolvimento é fundamental para otimizar o manejo e evitar deficiências que possam comprometer o rendimento. Por isso, é fundamental conhecer os processos de absorção e redistribuição de nutrientes, especialmente nos períodos de maior demanda pela planta.
A absorção de nutrientes pela soja inicia-se nas raízes, onde os elementos entram na forma iônica ou molecular e são assimilados pelas células ou transportados pelo xilema até a parte aérea da planta. Nas folhas, esses nutrientes podem ser utilizados em processos metabólicos essenciais. Após a assimilação, ocorre a redistribuição, ou seja, os nutrientes podem ser transferidos de um órgão ou região de acúmulo para outros órgãos em desenvolvimento.
Nutrientes móveis, como nitrogênio, fósforo e potássio, são redistribuídos das folhas mais velhas para as mais novas, grãos e outros órgãos-dreno, especialmente em condições de deficiência no solo. Já os nutrientes menos móveis, como cálcio, tendem a permanecer nas folhas mais velhas, onde surgem os primeiros sinais de deficiência, afetando principalmente os meristemas apicais e folhas mais jovens.
O acúmulo de nutrientes na soja é influenciado pelo estágio de desenvolvimento da planta. Nos primeiros 30 dias após a emergência, a taxa de absorção é baixa. Entre a floração e o início do enchimento de grãos (estágios R2 a R5), ocorre a maior demanda nutricional, seguida por uma redução na absorção à medida que a planta entra na fase de maturação. Durante o enchimento de grãos, os fotoassimilados gerados pelas folhas são direcionados diretamente para os grãos, sem uma translocação significativa de biomassa dos caules e folhas.
A soja apresenta maior exigência nutricional em comparação a outras culturas, como milho e arroz, devido à necessidade de produzir grãos ricos em óleo e proteína. Para cada tonelada de grãos, a planta exige, em média, 65 kg de nitrogênio, 5,3 kg de fósforo e 26,8 kg de potássio. Essa elevada demanda está relacionada ao crescimento rápido da planta e à alta produção de biomassa.
A produção de matéria seca na soja apresenta altas taxas de crescimento entre 30 e 100 dias do ciclo, quando atingem valores entre 100 e 160 kg por hectare ao dia. O máximo acúmulo de matéria seca ocorre entre os estágios R5 e R7, período crítico para a cultura (Figura 1). Durante esse tempo, observa-se que não há uma translocação significativa de fotoassimilados dos caules e folhas para os grãos, indicando que a biomassa dos grãos é formada principalmente a partir da radiação interceptada e da síntese realizada no período de enchimento de grãos.
Figura 1. Acúmulo de matéria seca em soja ao longo do ciclo de desenvolvimento em uma lavoura de 6,6 ton ha-1.
Estudos sobre a marcha de absorção de nutrientes são fundamentais para identificar os momentos de maior exigência nutricional da soja e planejar de forma precisa a aplicação de fertilizantes. Logo, pode-se prever com antecedência o momento de aplicação do nutriente no respectivo estágio de desenvolvimento da cultura de maior exigência. Entretanto, ainda é incerto se as recomendações atuais de adubação atendem plenamente às necessidades da planta em sistemas de alta produtividade. No Brasil, muitos programas de nutrição baseiam-se em produtividades inferiores a 3 toneladas por hectare, o que pode limitar o desempenho da cultura.
Dessa forma, a nutrição adequada da soja é fundamental, pois os nutrientes desempenham funções estruturais e metabólicas essenciais, como fotossíntese e respiração. Qualquer deficiência pode comprometer o desenvolvimento e a produtividade. Por isso, compreender a exigência nutricional da planta, que representa a quantidade total de nutrientes acumulados durante o ciclo, é indispensável para manejar adequadamente a adubação e garantir altas produtividades.

Referências bibliográficas
Tagliapietra, Eduardo L. et al. Ecofisiologia da soja: visando altas produtividades. 2. ed. Santa Maria, 2022.

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