AGRONEGÓCIO
Menor tamanduá do mundo simboliza preservação de manguezal nordestino
. . . . . . . . . . . . . . . 26 de August de 2024
Sustentabilidade
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6 horas ago
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O tamanduaí cyclopes didactylus, a menor espécie de tamanduá do mundo, virou símbolo de conservação do manguezal no litoral nordestino. O programa do Instituto Tamanduá identificou mais de 30 animais do tipo no Delta do Parnaíba.
Estudos e ações de preservação têm avançado desde a criação de uma base de pesquisa na região há quatro anos, com laboratório de campo completo. Reflorestamento, conservação de áreas e turismo de base comunitária são estratégias adotadas para proteger a biodiversidade local.



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“Esse esforço para a conservação do tamanduaí é emblemático. Demonstra a importância de ampliarmos os esforços para a promoção do conhecimento científico para a proteção da biodiversidade e, também, a necessidade de ampliação das unidades de conservação para que espécies como essa tenham áreas seguras e extensas destinadas ao seu desenvolvimento”, diz a bióloga e gerente de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário, Marion Silva.
O tamanduaí mede cerca de 30 centímetros e pesa até 400 gramas. Ele é solitário, de hábitos noturnos e passa a maior parte do tempo no alto das árvores. Na classificação da International Union Conservation of Nature (IUCN), o animal aparece com o status “dados deficientes”, por ainda se conhecer pouco sobre a espécie.
As pesquisas iniciadas em 2008 têm melhorado a compreensão sobre a ocorrência do tamanduaí nas Américas Central e do Sul. Existem sete espécies do animal.
“Acreditava-se, até recentemente, que esses pequenos tamanduás só ocorriam na floresta amazônica. Estudos genéticos indicam que os indivíduos do Delta do Parnaíba estão separados há 2 milhões de anos daqueles que vivem na Amazônia”, explica a médica veterinária coordenadora do Instituto Tamanduá e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), Flávia Miranda,.
“Desde estão, evoluem separados pela formação do delta e da Caatinga, que separou a Mata Atlântica da Amazônia há milhões de anos”, desenvolve Miranda.
O Delta do Parnaíba tem mais de 80 ilhas em uma área de quase 3 mil km². A área de manguezais é considerada berçário da vida marinha e habitat para diversas espécies, como o peixe-boi, o guará e outros peixes de valor comercial. Apesar de ainda pouco conhecida, a região já é considerada vulnerável.
Os principais problemas são o turismo predatório, a presença de animais domésticos em áreas de manguezal e o interesse das usinas eólicas.
“Como toda região de conexão marinha, os manguezais enfrentam os desafios globais do oceano, como o aquecimento das águas, a acidificação, o excesso de plástico, entre outras ameaças”, afirma a médica veterinária.
Os pesquisadores têm procurado criar soluções em conjunto com a população local.
“Conseguimos cercar algumas áreas de manguezal para evitar a entrada de animais domésticos, facilitando a regeneração natural do ecossistema, e já restauramos quase 2 hectares com vegetação nativa. Pode não parecer uma área tão significativa para o tamanho do Delta do Parnaíba, mas o reflorestamento de manguezais é uma tarefa bastante desafiadora. Também estamos buscando alternativas econômicas e sustentáveis para a população local, como o desenvolvimento do turismo de base comunitária”, diz Miranda.
“Também realizamos, pela primeira, vez a coleta de sêmen dessa espécie”, destaca a médica veterinária.
“Agora, temos a possibilidade de fazer pesquisa reprodutiva monitorada, contribuindo para evitar a extinção e, se necessário, promover a reintrodução dos animais no habitat natural”, acrescenta.
Outra ação importante para a proteção do tamanduaí foi o início do processo de criação de uma unidade de conservação da Resex Casa Velha do Saquinho, no limite territorial da Resex Marinha do Delta do Parnaíba.

Sustentabilidade
Classificação dos danos de Fusarium em plântulas de soja – MAIS SOJA
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1 dia ago
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24 de agosto de 2024

O fusariose, popularmente conhecida como podridão vermelha da raíz, é uma das doenças mais complexas de se manejar, exigindo medidas de controle conjuntas para evitar o desenvolvimento do patógeno. A doença tende a ser favorecida por solos mal drenados e compactados.
Os sintomas normalmente são observados em reboleiras, mas podem ocorrer de forma generalizada na lavoura. Dentre os principais sintomas, destacam-se o surgimento de manchas avermelhadas na raiz principal da planta (geralmente localizada um a dois centímetros abaixo do nível do solo) evoluindo, circundando as raízes, passando para a coloração vermelho-arroxeada pra castanho-avermelhado, a quase preta. Na área aérea da planta, observa-se o amarelecimento prematuro das folhas e necrose entre as nervuras, resultando no sintoma conhecido como folha “carijó” (Soares et al., 2023).
Figura 1. Sintomas típicos de podridão vermelha da raiz (Fusarium spp.) em soja.
Segundo Olszak-Przybyb; Korbecka-Glinka; Patkowska (2023), a patogenicidade de Fusarium spp. é determinada por uma ampla gama de fatores, incluindo os genes responsáveis pela transdução de sinal, compostos antifúngicos desintoxicantes produzidos por plantas, enzimas metabólicas e enzimas degradadoras da parede celular. Muitas espécies de Fusarium têm a capacidade de produzir micotoxinas, como tricotecenos, que podem ser tóxicas para as plantas.
Avaliando 19 isolados de Fusarium incluindo oito isolados de F. oxysporum , seis isolados de F. graminearum , quatro isolados de F. culmorum e um isolado de F. redolensincluindo oito isolados de F. oxysporum , seis isolados de F. graminearum , quatro isolados de F. culmorum e um isolado de F. redolens Olszak-Przybyb; Korbecka-Glinka; Patkowska (2023) observaram que o grau de patogenicidade da doença e sua severidade variam de acordo com a espécie do patógeno e sensibilidade da cultivar.

Dentre os 19 isolados de Fusarium analisados pelos autores, nas três cultivares avaliadas, observou-se que a porcentagem mediana da área da doença variou entre 5,0 e 88,0%, dependendo do isolado. Os sintomas da doença nas plântulas foram registrados de acordo com uma escala arbitrária de 0–5 modificada após Zang et al. na qual: 0 = plântula germinada saudável sem sintomas da doença (sem necrose); 1 = necrose leve com área total doente de até 10%; 2 = necrose leve a moderada com área total doente entre 11 e 25%; 3 = necrose moderada com área total doente de 26–50%; 4 = necrose extensa com área total doente de 51–75%; e 5 = necrose extensa com área total doente acima de 75% ou deterioração completa da semente (Olszak-Przybyb; Korbecka-Glinka; Patkowska, 2023).
Figura 2. Escala de classificação de sintomas de doenças em plântulas de soja inoculadas com Fusarium spp. Fotos de plântulas representando as seguintes classificações de doenças: 0 = plântula germinada saudável sem sintomas de doença (sem necrose); 1 = necrose leve com área total doente de até 10%; 2 = necrose leve a moderada com área total doente entre 11 e 25%; 3 = necrose moderada com área total doente de 26–50%; 4 = necrose extensa com área total doente de 51–75%; 5 = necrose extensa com área total doente acima de 75%.

Conforme resultados obtidos por Olszak-Przybyb; Korbecka-Glinka; Patkowska (2023), além da patogenicidade, observou-se que cultivares mais suscetíveis tendem a apresenta maior redução da porcentagem de germinação e a maior inibição do crescimento da radícula em comparação com a cultivares mais tolerantes, demonstrando as diferentes respostas que ocorrem em função do fungo e do hospedeiro. Confira o estudo completo desenvolvido por Olszak-Przybyb; Korbecka-Glinka e Patkowska (2023) clicando aqui!
Veja mais: Associações de microrganismos são mais eficientes que o uso deles isolados?
Referências:
OLSZAK-PRZYBYB, H.; KORBECKA-GLINKA, G.; PATKOWSKA E. IDENTIFICATION AND PATHOGENICITY OF Fusarium ISOLATED FROM SOYBEAN IN POLAND. Pathogens 2023. Disponível em: < https://www.mdpi.com/2076-0817/12/9/1162#app1-pathogens-12-01162 >, acesso em: 12/08/2024.
SOARES, R. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa, Documentos, n. 256, ed. 6, 2023. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/1158639 >, acesso em: 12/08/2024.

Sustentabilidade
Brasil precisa expandir políticas ambientais para COP30, afirma estudo
Published
1 dia ago
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24 de agosto de 2024

Sede da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em 2025 – a primeira a ser realizada na Amazônia –, o Brasil está em um momento crucial. Ainda tem a possibilidade de cumprir suas metas internacionais de redução de emissão de gases de efeito estufa, mas precisa ajustar as ações socioambientais e fortalecer políticas focadas na salvaguarda das florestas e na restauração dos biomas.
Liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o estudo ressalta a necessidade de controlar o desmatamento ilegal e a degradação dos biomas, incorporando um olhar para florestas secundárias que crescem após a remoção da cobertura original.
Sugere ainda reforçar e expandir políticas que mantenham os serviços ecossistêmicos. Esse processo deve vir acompanhado de mecanismos consistentes de atração de investimentos para financiar atividades de restauração e pagamentos por serviços ambientais em todos os biomas, incentivando iniciativas de bioeconomia e criando novas áreas de proteção ambiental.
“A pesquisa foi um trabalho conjunto visando mostrar o panorama de desmatamento, degradação e restauração dos biomas e suas relações com as metas globais do Brasil. Destacamos pontos importantes nesse processo para que o país busque o desenvolvimento sustentável”, explica a doutoranda no Inpe e primeira autora do artigo Débora Joana Dutra.
Para a bióloga Liana Oighenstein Anderson, orientadora de Dutra e pesquisadora no Cemaden, mesmo quando há medidas preventivas, ainda assim elas têm sido insuficientes frente ao desafio das mudanças climáticas. “É o caso dos incêndios florestais registrados neste ano na Amazônia e no Pantanal. A prevenção não foi suficiente para conter os números alarmantes. Quando fazemos estimativas como na pesquisa, temos a sensação de sermos extremamente conservadores frente ao que a realidade está mostrando e aos desafios enfrentados”, diz a bióloga.
O Brasil vem registrando neste ano recordes de queimadas. Entre janeiro e 4 de agosto, foram 65.325 focos de calor detectados no país, o maior número em quase 20 anos – o mais alto até então havia sido em 2005 (69.184 no mesmo período), segundo dados do Inpe. Os biomas Amazônia e Cerrado são os mais atingidos (28.396 e 22.217, respectivamente).
De janeiro a julho, o Pantanal teve 4.756 focos, o maior desde 1998, início da série histórica. Para o bioma, até o momento, 2020 teve o pior total anual de focos de queimadas.
“Em 2020, os incêndios no Pantanal chamaram a atenção do mundo e levaram a uma série de reações. O Ministério da Ciência e Tecnologia criou, por exemplo, a Rede Pantanal e, em escala local, o Estado de Mato Grosso do Sul instituiu um plano de manejo integrado do fogo. Em 2023, o governo federal lançou um plano de manejo para o bioma e, em abril, Mato Grosso do Sul decretou estado de emergência. Ou seja, houve um conjunto de ações de gestão, de governança, de regulamentação para tentar evitar os incêndios, mas, infelizmente, não foi suficiente. Tivemos avanços. Porém, há necessidade de aperfeiçoamentos na governança, nas estratégias adotadas e no financiamento das ações. É preciso acelerar o passo”, completa Liana Oighenstein.
Coautor do artigo e pesquisador do Inpe, Luiz Aragão diz que a pesquisa é um alerta para a sociedade sobre questões relacionadas às emissões. “A sociedade tem de encarar o problema não só do ponto de vista ambiental, mas sim socioeconômico. Está tudo ligado. Isso porque o desmatamento, por exemplo, é indutor do fogo, que por sua vez traz problemas de saúde para a população e degrada a floresta. A floresta desmatada e degradada tem menor potencial de prover serviços ecossistêmicos, como a ciclagem de água e a biodiversidade, que garantem a qualidade de vida das populações locais e têm influência muito grande em atividades econômicas.”, diz Aragão.
As mudanças no uso e na cobertura da terra (por exemplo, o desmatamento para o uso agropecuário e a degradação florestal) são as principais fontes de emissões do Brasil. Como um dos mais de 190 signatários do Acordo de Paris, firmado em 2005, o país assumiu o compromisso de ajudar a conter o aumento da temperatura média global em até 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais (anos 1850-1900) – marca que já tem sido ultrapassada nos últimos meses.
O acordo, que deve passar por revisão na COP30, prevê que os países definam metas de redução de emissões até 2030, tendo o Brasil se comprometido a diminuir em 53% (comparado aos níveis de 2005). Apesar disso, as emissões de dióxido de carbono (CO2) líquidas (descontadas as remoções) por mudanças no uso e na cobertura da terra dobraram entre 2017 e 2022, segundo o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg). Em relação à restauração, o Brasil tem a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas nativas, o que corresponde a quase a área territorial de Portugal.
*Sob supervisão de Henrique Almeida
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Sustentabilidade
Retomar competitividade internacional será crucial para impulsionar exportações de arroz em 2025 – MAIS SOJA
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2 dias ago
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23 de agosto de 2024

O mercado do arroz manteve em um cenário de cotações sustentadas, mas com um ritmo de comercialização lento. “A extensa disputa entre compradores e vendedores continua limitando negociações expressivas e impede grandes flutuações nos preços internos”, explica o analista e consultor de Safra & Mercado, Evandro Oliveira.
Orizicultores permanecem cautelosos, mas atentos às necessidades de caixa, especialmente com o vencimento de custeios se aproximando. “Já as indústrias estão focadas na paridade de importação, ajustando-se às oscilações anteriores no setor varejista/atacadista”, acrescenta o analista.
“O plantio da próxima safra avança gradualmente no Mercosul, com boas perspectivas de produção para 2024/25”, destaca Oliveira. O arroz, sendo uma cultura com um ciclo de cultivo concentrado em 5 a 6 meses, é particularmente vulnerável às oscilações de mercado, onde a oferta e demanda definem os preços.
Para Oliveira, a expectativa é de que as exportações brasileiras retornem aos níveis anteriores, desde que as condições sejam favoráveis, com preços internos entre US$ 17,00 e US$ 19,00 por saca. “Projeta-se que, durante a safra, os preços internos variem entre R$ 80,00 e R$ 100,00”, relata.
Caso o mercado internacional permaneça estável, o consultor acredita que o Brasil pode retomar seu papel como um player competitivo, com o arroz nacional atendendo à demanda da América Central, “que valoriza a qualidade do produto brasileiro, muitas vezes pagando acima da média do mercado”.
Em relação aos preços, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista) era cotada a R$ 118,67 no dia 21, com avanço de 0,22% em relação à semana anterior. Em comparação ao mesmo período do mês passado, havia alta de 2,44%. E um aumento de 26,9% quando comparado ao mesmo período de 2023.
Autor/Fonte: Rodrigo Ramos/ Agência Safras News
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