AGRONEGÓCIO

Movimento em prol do vinho gaúcho ganha selo especial

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Participação no PIB

Conforme dados levantados pela Unica, o valor bruto movimentado pela cadeia supera US$ 100 bilhões, com um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 40 bilhões, equivalente a cerca de 2% do PIB brasileiro.

“Passamos por um período de crise lá atrás, que veio até 2015, e muitas usinas fecharam. De lá para cá o país tem estruturado algumas políticas importantes para o setor que resultaram nessa mudança no cenário. É a prova de que políticas bem estruturadas impulsionam a economia”, diz Rodrigues.

Previsibilidade de preços

Entre as medidas, a primeira foi a política de precificação, que passou a ser balizada pelo preço do óleo internacional, o que deu mais previsibilidade para o setor, segundo ele.

“Na sequência, em 2017, tivemos a publicação da Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio, que funcionou a partir de 2020, passando a permitir a venda de créditos de descarbonização (Cbios) gerados pela cana-de-açúcar. É um crédito pequeno, mas estabeleceu uma meta importante de redução nas emissões de gases de efeito estufa”, afirmou.

O RenovaBio veio em um momento em que o setor estava à beira de uma nova crise pela perda de 80 milhões de toneladas de cana por causa de uma seca história no centro-sul do País. Em 2022 e 2023, lembra Rodrigues, houve boa produtividade no campo, resultando em um recorde histórico de moagem de cana-de-açúcar no ano passado. Foram processados 654,4 milhões de toneladas, 19,3% a mais sobre as 548,6 milhões de toneladas da temporada 2022/2023. Para este ano, ele projeta uma safra um pouco menor que o recorde, mas acima das anteriores.

Rodrigues avalia que o ano começou com preços mais reduzidos, sobretudo do açúcar, mas vê o cenário muito longe de ser caótico. “O setor está se expandindo. Nós tivemos usinas de cana-de-açúcar inauguradas, expansão de investimentos na área agrícola e expansão considerável na área industrial nos últimos três anos, devido à produção de etanol de milho. Há cinco anos, o etanol do cereal era praticamente zero. Nesta safra, vai representar cerca de 20% do total”, diz. Em março, a usina Coruripe inaugurou uma planta para produzir açúcar, em Limeira do Oeste, no Triângulo Mineiro.

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O foco na economia verde do Programa Nova Indústria Brasil, lançado pelo governo, está concatenado com duas políticas públicas importantes para o setor sucroenergético, segundo Rodrigues. O projeto Combustível do Futuro, iniciativa do governo encampada pelo Parlamento, traz a possibilidade de ampliar o nível de mistura do etanol na gasolina e do biodiesel no óleo diesel, além de propor metas de descarbonização nos transportes.

Foco na sustentabilidade do açúcar e álcool

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Foto: Agência Brasil

Luciano Rodrigues destaca que o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), iniciativa para incentivar a indústria automotiva a atingir metas de descarbonização da frota, traz um ponto fundamental para o setor.

Daqui para a frente, esses incentivos serão calibrados também pelo uso de combustíveis com menor emissão de carbono por km rodado, abrindo caminho para um maior consumo de biocombustíveis. Rodrigues afirma que o setor sucroenergético já tem o compromisso com o desmatamento zero.

“Toda empresa que está no programa RenovaBio tem de monitorar a produção e aferir a sustentabilidade. São dados públicos e validados por auditoria externa. Se uma fazenda com mil hectares tiver um único hectare desmatado, ainda que seja legal, a fazenda está fora. Mais de 90% da produção de etanol está em conformidade com o RenovaBio e tem pegada de carbono auditada. A gente sabe, em cada unidade de produção, quem está produzindo com eficiência ambiental”, diz ele.

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A digitalização da agricultura faz parte desse processo, no momento em que reduz a aplicação de defensivos, segundo o diretor da Unica. “Em vez de aplicar na área inteira, tem um drone que aplica só onde é necessário. Nossa frota de máquinas tem telemetria. Com isso, conseguimos reduzir o uso dessas máquinas na produção e na colheita. São alguns exemplos de avanços, mas ainda temos a desvantagem do custo. A produção internacional tem um custo menor do que o Brasil consegue oferecer”, observa Rodrigues.

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O tempo em que a colheita de cana-de-açúcar era feita à base de fogo que, muitas vezes, extrapolava os canaviais e atingia florestas e lavouras, está cada vez mais distante. Atualmente, algumas usinas mantêm projetos voltados para a proteção das abelhas, de forma a garantir a convivência de apiários e produtores de mel com a produção agrícola.

Esses insetos são responsáveis pela polinização de mais de 90% das plantas nativas e 75% das lavouras, assegurando a conservação da biodiversidade e segurança alimentar.

A gerente de Sustentabilidade da Unica, Renata Camargo, explica que os projetos desenvolvidos pelas usinas atendem à legislação vigente, com adoção de técnicas de manejo adequadas, e vão além. “Os projetos incluem desde medidas de segurança na aplicação aérea de defensivos agrícolas até o cadastramento e o monitoramento dos apiários e meliponários. Com uso de tecnologia, novos recursos de comunicação e ações de responsabilidade socioambiental, as usinas estão promovendo a coexistência harmoniosa e a preservação das abelhas”, diz.

Renata conta que, nos últimos anos, a Unica desenvolveu ações com as usinas associadas para incentivar a boa convivência também com produtores de alimentos orgânicos e de outras culturas no entorno das usinas. A busca pela produção sustentável não é um fato recente para o setor sucroalcooleiro nacional.

Em 2017, a Unica atuou diretamente na construção do regulamento das Diretivas Técnicas do Protocolo Agroambiental Etanol Mais Verde, em parceria com o governo do Estado de São Paulo.

O documento estabeleceu garantias de sustentabilidade na cadeia produtiva da cana-de-açúcar, incluindo a eliminação total da queima como método agrícola pré-colheita e boas práticas no uso de agrotóxicos nas áreas de canaviais do Estado.

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Lucas do Rio Verde

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