ATO PRÓ-ANISTIA
Bolsonaro reúne aliados e cerca de 60 mil manifestantes na Avenida Paulista em ato por anistia aos condenados de 8 de janeiro
São Paulo (SP) – Uma manifestação de forte cunho religioso e político marcou o domingo (6) na Avenida Paulista, reunindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, sete governadores aliados, parlamentares, líderes religiosos e milhares de apoiadores. O ato teve como principal pauta os pedidos de anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, além de críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defesas à liberdade de expressão.
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Segundo estimativas da Polícia Militar, cerca de 60 mil pessoas participaram do protesto, que tomou parte da principal avenida de São Paulo e concentrou-se no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde estava montado o carro de som para os discursos das autoridades.
O ex-presidente Bolsonaro, atualmente réu no STF por tentativa de golpe de Estado, foi a figura central do evento e discursou ao lado de líderes políticos e religiosos. A manifestação foi marcada por faixas, cartazes e gritos de “anistia já”, além de orações e apelos religiosos.
Governadores presentes
Sete governadores de diferentes regiões do país participaram do protesto, demonstrando apoio a Bolsonaro e à causa da anistia:
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Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo
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Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais
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Ratinho Jr. (PSD), do Paraná
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Ronaldo Caiado (União), de Goiás
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Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina
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Mauro Mendes (União Brasil), de Mato Grosso
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Wilson Lima (União), do Amazonas
Discurso de Tarcísio de Freitas
Único governador a discursar, Tarcísio de Freitas defendeu a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos, que, segundo ele, são “pessoas simples e humildes”. O governador afirmou que o perdão é necessário para “pacificar o país” e permitir que o Brasil avance economicamente.
“A anistia para essas pessoas é o reencontro com a liberdade. Precisamos pacificar o país. Só a liberdade vai garantir a verdadeira democracia”, disse Tarcísio.
O governador também citou o impacto da inflação, mencionando o alto preço de itens como “feijão e ovo”, e conclamou os presentes a gritarem “volta Bolsonaro”. Em tom religioso, afirmou acreditar que Deus “tocará o coração dos parlamentares” para aprovar a anistia no Congresso.
Prefeito de São Paulo também apoia a causa
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também marcou presença e declarou apoio à proposta de anistia. Em discurso breve, disse estar “orgulhoso” de receber a manifestação e criticou a dosimetria das penas aplicadas pelo STF.
“Vou apoiar e incentivar que meu partido, o MDB, assine a anistia”, afirmou. “Um ato de desumanidade segue um ato humanitário.”
Críticas ao STF
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos primeiros a discursar e lançou duras críticas ao STF, chamando o ministro Alexandre de Moraes de “covarde” e afirmando que os condenados foram tratados de forma injusta. Segundo ele, as penas deveriam ser aplicadas “a criminosos de verdade, não a baderneiros”.
Ele também criticou o ministro Luís Roberto Barroso por sua frase “perdeu, mané”, interpretando-a como desrespeitosa e insinuando fraude nas eleições de 2022.
Forte presença religiosa e clima de campanha
A manifestação teve presença marcante de líderes religiosos, como o pastor Silas Malafaia e o Padre Kelmon. Orações, falas com invocações divinas e referências à fé cristã marcaram o tom do evento, reforçando o apelo emocional e espiritual do ato.
Apesar de inelegível até 2030, Bolsonaro foi ovacionado por seus apoiadores, que entoaram gritos pedindo seu retorno à Presidência. Ao final, o governador Tarcísio afirmou:
“Tenho certeza que ele vai voltar.”
Contexto político e jurídico
O ato acontece enquanto o STF avança nos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado e aos atos de 8 de janeiro. Já são dezenas de condenados, com penas que chegam a mais de 15 anos. O movimento bolsonarista, por sua vez, pressiona o Congresso pela aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que conceda anistia aos envolvidos.
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