BRASIL
EUA colocam PIX na mira e acusam Brasil de favorecer sistema de pagamentos
A ofensiva dos EUA contra o PIX mistura disputa comercial, tecnologia financeira, geopolítica e pressão de grandes empresas americanas. O centro da crítica é que o Banco Central do Brasil criou e opera um sistema público de pagamentos instantâneos extremamente eficiente, barato e popular, que reduziu espaço de empresas privadas como Visa e Mastercard.
Entre os principais pontos levantados por especialistas estão:
- concorrência direta do PIX com cartões e fintechs americanas;
- expansão do PIX Internacional;
- receio dos EUA sobre alternativas ao dólar dentro do BRICS;
- fortalecimento do Brasil como referência mundial em pagamentos digitais;
- embates envolvendo big techs e regulação digital brasileira.

O relatório do governo dos EUA afirma que o Brasil favoreceria “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, numa referência indireta ao PIX. A acusação faz parte da justificativa para a proposta de tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que não existem evidências consistentes de prática desleal no funcionamento do PIX. O sistema é aberto às instituições financeiras autorizadas pelo BC e foi criado justamente para aumentar concorrência e reduzir custos bancários.
Outro fator importante é o avanço do PIX Internacional. O receio americano é que, no futuro, sistemas de pagamento instantâneo fora da órbita dos EUA reduzam a dependência global do dólar e do sistema SWIFT. Isso ganhou força com discussões dentro do BRICS sobre alternativas de pagamento entre países emergentes.
Além disso, o sucesso do PIX virou vitrine internacional. O modelo brasileiro passou a ser estudado por diversos países porque conseguiu adesão massiva da população em pouco tempo, algo que sistemas americanos como FedNow ainda não alcançaram.
O debate também envolve gigantes de tecnologia como Google e Meta, dona do WhatsApp. Essas empresas possuem serviços financeiros próprios e já tiveram conflitos regulatórios no Brasil envolvendo pagamentos digitais e regras impostas pelo Banco Central e pelo STF.
Na prática, a disputa vai muito além do PIX. Ela envolve:
- influência econômica dos EUA;
- domínio global do dólar;
- mercado bilionário de pagamentos digitais;
- soberania tecnológica dos países;
- competição entre sistemas financeiros nacionais e grandes empresas privadas globais.
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