Operação fariseus
Horas antes de ser presa em Cuiabá, missionária investigada por ligação com organização criminosa canta louvor nas redes sociais
Jovem investigada pela Polícia Civil apareceu cantando um louvor nas redes sociais poucas horas antes de ser alvo da Operação Fariseus, que apura o uso de um projeto religioso para favorecer uma organização criminosa.
Horas antes de ser presa preventivamente durante a Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (16), Rhavenna Barcelos de Almeida publicou um vídeo nas redes sociais em que aparece cantando um louvor. A gravação ganhou repercussão após a divulgação da operação.
Rhavenna se apresenta nas redes sociais como designer de sobrancelhas e integrante do projeto religioso Resgatando Vidas, que realizava ações de assistência espiritual junto a detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE). No entanto, segundo a Polícia Civil, as investigações indicam que sua atuação ia além do trabalho religioso.
De acordo com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a investigada mantinha relacionamentos com integrantes de uma organização criminosa e frequentava comunidades dominadas pelo grupo no Rio de Janeiro.
Durante as investigações, os policiais reuniram fotografias em que Rhavenna aparece ao lado de suspeitos apontados como lideranças da organização e de criminosos foragidos da Justiça. Também foram localizadas imagens em que ela segura armas de fogo durante visitas a áreas controladas pelo grupo, conforme a investigação.
A operação também teve como alvos os pais da investigada, Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, ambos pastores evangélicos. Contra o casal foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, o casal utilizava o prestígio conquistado por meio da atuação religiosa para favorecer interesses da organização criminosa. A investigação aponta que o projeto religioso era utilizado para facilitar a aproximação com detentos, transmitir recados, intermediar contatos entre presos e pessoas em liberdade e manter a comunicação com lideranças do grupo.
Além disso, a Polícia Civil apura movimentações financeiras consideradas suspeitas e viagens frequentes ao Rio de Janeiro. Conforme as investigações, parte dessas viagens teria sido custeada por integrantes da organização criminosa.
Os investigados respondem pelos crimes de organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para individualizar a participação de cada envolvido e analisar todo o material apreendido durante a operação.
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