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Gerente de pousada é agredida com facão por arrendatário de restaurante ‘Falava o tempo todo que ia me matar’

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A gerente Rebeca Miranda, de 51 anos, foi vítima de um episódio de agressão na última segunda-feira (1º), em Barra Grande, no município de Maraú. Por meio das redes sociais, ela denunciou que um arrendatário de um restaurante da localidade a atacou com golpes de facão. Ele teria usado a lateral da arma para desferir os golpes, o que deixou Rebeca com hematomas pelo corpo.

As marcas da violência foram expostas em um grupo de classificados de Barra Grande. A gerente contou que o episódio ocorreu na pousada e sushi bar em que ela trabalha. O agressor tinha como alvo o sushiman, que não estava no local no momento.

“Foi no dia 1º, por volta das 22h. Já estava em procedimento de fechamento, atendendo o último pedido do dia, quando esse homem, com um facão na mão, entrou no estabelecimento. Eu me surpreendi, estava de cabeça baixa, quando levantei já o vi. Ele estava sem camisa, visivelmente transtornado, de facão na mão, procurando o sushiman do estabelecimento. Quando vi ele daquela forma, falei para ele se retirar, que ele não podia ficar no estabelecimento daquele jeito. Ele foi na minha direção, perguntando pelo sushiman, se ele morava lá. Falei para que ele se retirasse, que ele não estava bem. Ele veio para cima de mim e começou a me bater, dizendo que ia me matar”.

“Fui andando para trás para tentar me esconder, me defender. Mas fiquei atrás do balcão da recepção, um lugar onde eu não podia sair. Ele começou a me bater. Eu me virava para tentar me defender e os golpes pegaram na lateral do meu corpo, no braço e nas costas”, contou Rebeca.

Após ser agredida, Rebeca conseguiu fugir da pousada e saiu para a rua, onde pediu por socorro. A gerente afirma que o filho do agressor apareceu e acalmou o pai, que acabou detido pela polícia.

“Ele continuava gritando, perguntado pelo sushiman, e me batia. Eu gritei por socorro, ninguém apareceu. Era tarde da noite, tudo vazio. Teve uma hora que chamei por Deus, não sei se por conta disso ele começou a se afastar. Eu saí correndo na direção da rua e comecei a gritar por socorro. Quando eu me afastei, ele entrou na pousada com facão na mão, gritando pelo sushiman. Veio um rapaz correndo pela rua, que era filho dele. Foi a pessoa que conseguiu conter ele. Ele ainda estava muito agitado, balançando o facão, mas o filho conseguiu conter ele e o tirou do estabelecimento”.

“Depois disso, não vi o que aconteceu. Soube depois que a polícia chegou, o encontrou já sem facão na mão, e prendeu ele. Eu estava muito nervosa, sentada atrás da cozinha, chorando muito, com muita dor pelo corpo”, completou.

Rebeca registrou boletim de ocorrência na delegacia de Maraú no dia seguinte ao ataque. Ao prestar depoimento, foi informada que o agressor foi enquadrado nos crimes de lesão corporal e ameaça, o que são considerados delitos leves. Ele foi liberado na última quarta-feira (3).

Além das marcas pelo corpo, a gerente diz que tem medo que o agressor volte a ataca-la.

“Quando perguntei se ele continuaria preso, me disseram que não. Que a lesão corporal e a ameaça não configuravam em crime que o deixasse preso. Eu estava dentro do estabelecimento onde trabalho, ele chegou alterado a ponto de fazer isso. Era um facão. Ele falava o tempo todo que ia me matar. Encostou o facão na minha barriga e disse que ia me matar. Um homem maior que eu, com uma arma branca, me agredindo e me ameaçando de morte”.

“Infelizmente, vou ter que carregar isso comigo. Um trauma muito grande com o qual vou ter que conviver. Uma pessoa totalmente descontrolada, por qualquer motivo, nenhuma bebida, nenhum tipo de substância, nada que estivesse passando justificava a agressão a mim. Nenhuma mulher merece passar por isso. Nenhum ser humano merece ser vítima de violência”, lamentou.

Para garantir a segurança dos funcionários, a proprietária da pousada contratou um segurança, que fica no local durante a noite.

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“Moro na pousada também, estou recolhida no meu quarto o tempo todo, tentando me recuperar. Algumas pessoas estão me visitando. Muita gente oferecendo solidariedade, tentando me consolar. Foi um trauma terrível. As imagens a todo momento voltam na minha cabeça, os gritos, aquela situação toda. É algo terrível. Jamais imaginei passar por isso. Estava fechando o estabelecimento para ir dormir e aconteceu uma coisa dessas. Poderia ser muito pior. Ele poderia ter me matado. Do jeito que está transtornado, ele poderia ter me matado”.

A delegada Andréa Oliveira, titular da delegacia de Maraú, afirmou que, em depoimento, o agressor alegou que estava bêbado e que desconfiava que a esposa tinha um caso extraconjugal com o sushiman. Como não o encontrou na pousada, descontou a raiva na gerente.

“Ele afirma que estava desconfiado que o sushiman tinha um relacionamento com a esposa dele. Disse que bebeu muito e foi tirar satisfação. Ele a agrediu com o que chamamos de panadas de facão, que é quando se disfere golpes com a lateral. Se ele tivesse intenção de matar, teria agredido com a lâmina. Por isso foi lavrado um termo circunstanciado por ameaça e lesão corporal e ele não permaneceu preso. Isso é o que prevê a lei, e o delegado só pode aplicar o que está na lei. É o que nos compete”, disse.

Andréa Oliveira explicou que, pela natureza do ocorrido, o agressor não poderia ter sido enquadrado na Lei Maria da Penha.

“Não existia relação de parentesco ou coabitação entre os dois. Ele, inclusive, alega que sequer conhecia Rebeca. Ele agrediu Rebeca por ter chegado ao local procurando um desafeto, como não encontrou, descontou a ira em Rebeca. Passou a proferir panadas de facão nela, causando as lesões”.

A delegada também confirmou que o acusado responde por um processo de agressão em Goiás. Ela faz buscas para checar se ele tem outras acusações fora da Bahia.

“Ele responde por agressão em Goiás, mas não posso mantê-lo preso por outro procedimento. A gente está levantando informações dele, porque na Bahia não consta nada. O RG dele é de Goiás. Estamos levantando todas as informações correspondentes a outros estados. Estou fazendo o levantamento para juntar no procedimento e encaminhar tudo para a Justiça”, finalizou.

Uma manifestação está marcada para a tarde desta quinta-feira (4), às 16h30, na Praça das Mangueiras, em Barra Grande, para protestar contra a violência contra mulheres.

TEXTO: G1 BA

 

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