GERAL
Adolescente é atraído por “namorada”, torturado e executado; crime foi filmado; Veja Vídeo
Jeremías Monzón tinha 15 anos e vivia em Santo Tomé, na província de Santa Fé, Argentina. O erro fatal: confiar. A armadilha veio disfarçada de namoro, por uma jovem de 16 anos, que o conduziu com precisão cirúrgica a uma fábrica abandonada perto do estádio Colón — um desses lugares esquecidos pelo Estado argentino.
Ali, Jeremías não encontrou conversa, explicação ou justiça poética. Encontrou uma emboscada. Três adolescentes, todos menores, decidiram que vingança digital se resolve com alicate, faca e câmera de celular ligada. O resultado: entre 20 e 25 facadas, tortura prolongada e uma execução registrada em vídeo.
O suposto motivo? Um vídeo íntimo que Jeremías teria compartilhado. A resposta dos algozes foi transformar a “reparação” em espetáculo: humilhação, mutilação, provocações e pedidos de desculpa ignorados, tudo embalado em mais de três minutos de horror que vazaram e circularam com a velocidade habitual da barbárie online.
O corpo do adolescente foi encontrado dias depois, em decomposição, dentro do galpão abandonado no bairro Chalet — local que, segundo familiares, serve como ponto de consumo de drogas. Um detalhe aparentemente secundário, mas que ajuda a entender por que ninguém viu, ninguém ouviu e ninguém impediu.
A província de Santa Fé reagiu como sempre: choque tardio. A polícia argentina encontrou o corpo na segunda-feira, 22 de dezembro 2025, embora o assassinato provavelmente tenha ocorrido na quinta-feira anterior, quando a família começou a procurá-lo. Tempo suficiente para o silêncio fazer seu trabalho.
O vídeo vazou e começou a circular neste mês de janeiro de 2026.
Até agora, uma adolescente de 16 anos foi presa. Os outros envolvidos — entre 14 e 15 anos — seguem protegidos pela confortável etiqueta de “inimputáveis”. Aparecem no vídeo, participam do crime, mas não podem responder por ele. O sistema agradece a colaboração.
A investigação, conduzida pelas Procuradorias de Homicídios e da Infância e Juventude da Argentina, aposta na hipótese de que Jeremías foi deliberadamente atraído para ser entregue aos agressores. Também se fala em “acerto de contas” entre adolescentes e possível uso de drogas — expressões burocráticas que tentam dar algum verniz explicativo a uma violência que dispensa eufemismos.
Enquanto promotores ajustam prazos e audiências são marcadas, familiares, amigos e vizinhos se reúnem em “Las Cinco Esquinas”, em Santo Tomé, para pedir o básico: que alguém leve esse crime a sério. Não vingança. Não espetáculo. Apenas respostas — aquelas que não cabem em vídeos virais, mas que costumam faltar quando todos os envolvidos são jovens demais para assumir a própria crueldade.
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