GERAL
Capitão teria afastado colegas e mandado tirar flutuador de aluno morto durante treinamento
Corregedoria do Corpo de Bombeiros investiga o que realmente aconteceu durante o treinamento.
O capitão Daniel Alves Moura Silva e o soldado Kayk Gomes dos Santos teriam afastado os equipamentos de flutuação e impedido que o aluno Lucas Veloso Peres, morto durante o treinamento dos bombeiros, fosse acompanhado pelos “cangas”, isto é, os militares que também participam do curso e que podem prestar assistência num primeiro momento.
Conforme apurado pelo RepórterMT, nodia da morte, 27 de fevereiro, Lucas estava com dificuldades para cumprir o exercício do treinamento, que consistia em atravessar a Lagoa Trevisan a nado. Relatos de testemunhas apontam que por duas vezes Lucas fez a atividade usando o flutuador para descansar.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o capitão Alves não teria gostado disso e teria mandado tirar o equipamento e impedido que Lucas fosse acompanhado pelos “cangas”, isto é, os bombeiros que também participam do curso e que podem prestar assistência num primeiro momento, caso seja necessário.
O capitão Alves teria dito que acompanharia Lucas, a nado, na atividade. Há dez metros de distância o soldado Kayk estaria acompanhando os dois em uma prancha. Minutos depois, Lucas se afogou e acabou morrendo.
O que chama a atenção é que dois bombeiros experientes que estariam acompanhando o aluno não conseguiram socorrê-lo a tempo.
Após ser retirado da água, Lucas foi encaminhado para o Hospital H-Bento, em Cuiabá, mas não resistiu. O laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou a causa da morte como afogamento.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelos militares, o aluno foi socorrido pelos colegas. Ainda dentro de um barco, eles teriam começado a manobra de reanimação, mas sem sucesso.
Mensagens trocadas por testemunhas em um grupo de WhatsApp e que vazaram para a imprensa apontavam que ele poderia ter sido vítima de “caldo”, isto é, teria sido afogado intencionalmente.
A pedido do Ministério Público de Mato Grosso, uma reconstituição deverá ser realizada para ajudar a confrontar as versões apresentadas até agora e elucidar o que de fato aconteceu. Mas não há uma data para que isso ocorra.
Na semana passada, o governador Mauro Mendes (União) publicou um decreto determinando que os treinamentos do Corpo de Bombeiros sejam gravados por segurança.
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