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El Niño pode afetar produtividade de grãos e pressionar agropecuária brasileira em 2027, aponta BC

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O Banco Central (BC) avalia que a possível ocorrência de El Niño até o segundo trimestre de 2027 representa um risco para a produtividade agrícola brasileira, principalmente em culturas como milho, algodão e arroz. A análise consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (24).

O estudo, intitulado “Efeito dos eventos El Niño e La Niña sobre a produtividade das principais lavouras brasileiras”, analisou episódios climáticos registrados entre 1990 e 2026. O próprio BC ressalta que o número de ocorrências avaliadas é limitado e que os resultados devem ser interpretados com cautela.

Segundo o levantamento, os efeitos do El Niño não são iguais em todas as regiões e culturas do país. No caso do milho, algodão e arroz, episódios do fenômeno climático estiveram associados com maior frequência a produtividades abaixo da tendência histórica em diferentes estados.

Para a soja, o cenário é mais dividido. Algumas regiões podem registrar perdas, enquanto outras podem apresentar comportamento diferente, fazendo com que parte dos efeitos seja compensada quando considerada a produção nacional.

Milho pode estar entre os mais afetados

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As projeções atuais do Relative Oceanic Niño Index (Roni) são compatíveis com a possibilidade de El Niño até o segundo trimestre de 2027.

Com base nesse cenário, o Banco Central aponta risco de efeitos negativos sobre a produtividade nacional de grãos, especialmente no milho.

Apesar disso, o impacto sobre a segunda safra pode ser parcialmente reduzido caso o índice climático continue em trajetória de queda durante os períodos mais importantes para o desenvolvimento da cultura.

Agropecuária pode perder ritmo em 2027

O relatório também aponta que um cenário climático menos favorável pode contribuir para uma desaceleração da agropecuária brasileira em 2027.

Segundo o BC, o crescimento do Valor Adicionado Bruto do setor pode caminhar para níveis mais próximos da estabilidade, embora o desempenho final dependa de diversos outros fatores além do El Niño.

Nas culturas permanentes, o estudo não encontrou evidências suficientes para apontar impactos consistentes do El Niño ou La Niña sobre a produtividade da cana-de-açúcar.

No café, por outro lado, episódios de La Niña apresentaram efeitos positivos sobre a produtividade quando analisado o resultado nacional.

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BC pede cautela

O Banco Central reforça que as projeções climáticas não devem ser entendidas como uma previsão de como será a safra de 2027.

A instituição destaca que o histórico disponível é relativamente curto, especialmente quando considerados eventos climáticos de maior intensidade. Além disso, fatores como tecnologia, manejo, condições locais, chuvas e temperaturas também influenciam diretamente o desempenho das lavouras.

Por isso, a avaliação apresentada pelo BC deve ser considerada uma indicação de risco para a produtividade agrícola, e não uma confirmação de perdas na próxima safra.

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