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Vera Thomaz: Uma reflexão sobre as mães no mercado da tecnologia

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Impossível terceirizar a maternidade: uma reflexão sobre as mães no mercado da tecnologia
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Impossível terceirizar a maternidade: uma reflexão sobre as mães no mercado da tecnologia

As discussões sobre o maternar vêm ganhando força e gerando interesse do mundo corporativo, especialmente em ambientes predominantemente masculinos, como é o caso do setor de tecnologia. Como a maternidade se encaixa em um segmento que não está habituado às demandas reprodutivas e que está sob forte necessidade de produzir e inovar o tempo inteiro?

Iniciei minha trajetória em empresas de telecomunicações no final da década de 1980. Poucos anos depois, me tornei mãe; não havia a possibilidade de tirar a licença maternidade, então voltei ao trabalho duas semanas e meia depois de dar à luz.

Há 30 anos, mulheres raramente estavam em cargos executivos, muito menos na área de tecnologia, conciliando carreira e filhos. Posso dizer com orgulho, e ao mesmo tempo, com indignação, que era uma das poucas que ocupavam esse espaço.

No entanto, a volta ao trabalho me fez perceber que não há como terceirizar a maternidade. Mesmo com a cabeça focada no trabalho, as demandas de criar um filho – e a vontade de acompanhar de perto o crescimento da sua prole – são fortes e constantes.

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Desempenhando um cargo de gerência comercial, precisei realizar muitas viagens a diferentes países. Ao passo que elas enriqueceram abundantemente a minha carreira e as minhas experiências, acabei ficando distante do desenvolvimento do meu filho. Perco a conta de quantas vezes precisei remediar situações na minha casa no Brasil, estando a muitos quilômetros de distância, em uma época em que telefone e celular não faziam parte da nossa realidade.

Só quem vive a maternidade conhece o sentimento de culpa por não poder estar presente com mais frequência. Ao fim do dia, nada supre essa falta. Sei que não fui a primeira mulher a vivenciar esse desafio e, apesar das recentes mudanças significativas nos ambientes corporativos, sei que não serei a última. Muitas mães ainda vivenciam a sobrecarga e a desigualdade.

É uma batalha coletiva, claro. É preciso uma aldeia para criar uma criança, e as empresas podem contribuir significativamente para a promoção da equidade de gênero e a valorização das mães no mercado de trabalho. Enxergá-las, antes de tudo, e adotar medidas inclusivas, como a implementação de berçários, flexibilidade de horários e licença maternidade, pode tornar as vivências mais leves.

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Essas mudanças começam, principalmente, na inclusão de profissionais femininas. Sobretudo quando falamos das empresas de tecnologia, um dos setores mais promissores, mas no qual apenas 20% dos profissionais são mulheres, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A tecnologia é um universo rico e transformador, essencial para o dia a dia deste século, não à toa estou nessa área há mais de 30 anos. Seu potencial de alavancar carreiras em todas as áreas exige uma atenção especial para si mesma, incentivando a diversidade, com mais mulheres trabalhando e ocupando cargos de liderança, à medida que tenham benefícios justos para conciliar sua vida pessoal.

As empresas que entenderem que equilibrar maternidade e carreira é uma questão de desenvolvimento coletivo e, com isso, implementarem medidas inclusivas para remediar esses desafios, favorecendo o desenvolvimento profissional e pessoal das mulheres, definitivamente estarão um passo à frente rumo a um futuro mais promissor e feminino.

Fonte: Mulher

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