POLÍCIA

Adolescente é levado à delegacia após suspeita de induzir alunas à automutilação com promessa de dinheiro e menções à dark web em escola de MT

Publicado em

Um caso grave e cercado de preocupação mobilizou a Polícia Militar, o Conselho Tutelar e a direção de uma escola estadual de Itanhangá, no médio-norte de Mato Grosso, após a denúncia de que um adolescente de 17 anos estaria induzindo alunas menores de idade a praticarem automutilação, mediante promessa de pagamento em dinheiro, além de exigir que os ferimentos fossem registrados em fotos e vídeos para posterior envio a ele. O episódio foi registrado na manhã de 10 de março, dentro da Escola Estadual Bromildo Lawisky, localizada na região central do município.

De acordo com o boletim de ocorrência, a denúncia inicial chegou às autoridades por meio do Conselho Tutelar, que repassou à Polícia Militar informações sobre a conduta do adolescente. A partir disso, uma guarnição foi até a unidade escolar e fez contato com a direção da escola, onde obteve relatos de que a situação havia vindo à tona depois que uma estudante procurou ajuda e contou que vinha sendo pressionada a ferir o próprio corpo com objetos cortantes. Segundo o registro policial, a jovem relatou que, após provocar as lesões, deveria fotografar ou filmar os machucados e encaminhar o conteúdo ao suspeito, sob a promessa de receber determinada quantia em dinheiro.

Durante as diligências dentro da escola, os policiais identificaram pelo menos duas adolescentes como possíveis vítimas diretas da conduta investigada. Na presença de conselheiras tutelares, elas relataram que estariam sendo induzidas pelo rapaz a causar lesões em seus próprios corpos com uso de objetos perfurantes ou cortantes. O material produzido — fotos e vídeos das lesões — deveria, segundo os depoimentos, ser enviado ao adolescente como forma de comprovação do ato. O caso foi enquadrado, conforme o BO, como ocorrência atípica, incitação ao crime e ameaça.

Leia Também:  Motociclista de 18 anos é atingida por carro e morre na hora

Quer ficar bem informado? Entre agora no nosso grupo do WhatsApp!

 

A gravidade da situação aumentou com os relatos de testemunhas ouvidas ainda no ambiente escolar. Uma adolescente afirmou à polícia que já teria presenciado o suspeito advertindo algumas vítimas para que não contassem os fatos a terceiros. Conforme o documento, a testemunha disse que ele ameaçava as estudantes, afirmando que, se revelassem o que estava ocorrendo, poderiam sofrer agressões fora da escola. Ainda segundo esse relato, o adolescente teria mencionado a possibilidade de acionar integrantes de uma facção criminosa para intimidar ou agredir as vítimas.

Outro ponto que chamou atenção no boletim foi a referência a um suposto “líder”. Segundo uma das testemunhas, o adolescente teria comentado que uma das imagens enviadas por uma vítima “não teria sido aprovada por seu líder”, o que levantou a suspeita, por parte dos policiais e das pessoas ouvidas, de que poderia haver participação de outras pessoas na dinâmica investigada. No mesmo contexto, o registro menciona a possibilidade de vínculo com fóruns da chamada dark web, também descrita como rede oculta da internet. A suspeita surgiu a partir de falas colhidas no local e do comportamento atribuído ao adolescente, que, segundo o BO, utilizaria a nomenclatura “Yoshi” em ambiente virtual.

Ainda conforme a ocorrência, relatos colhidos pela equipe policial apontaram que o adolescente teria conhecimento em informática e seria proprietário de computador e notebook. Diante disso, surgiram suspeitas de que equipamentos eletrônicos dele poderiam armazenar imagens, vídeos ou outros conteúdos relacionados ao caso, inclusive com possível envolvimento de outras alunas da instituição. Professores e servidores da escola também relataram preocupação com o comportamento do estudante, destacando que já teriam ocorrido outros episódios envolvendo o adolescente no ambiente escolar, o que aumentou o temor quanto à integridade física e psicológica das estudantes.

Leia Também:  Incêndio próximo ao cartório na Avenida Brasil mobiliza Corpo de Bombeiros; veja o vídeo

O boletim também registra a apreensão de um celular Motorola azul, que estava em posse do adolescente no momento da ocorrência e foi entregue às autoridades. O aparelho pode se tornar peça importante na apuração, especialmente para verificar mensagens, arquivos, imagens e eventuais conexões com outros perfis ou usuários.

Apesar da identificação de duas possíveis vítimas no momento da ação policial, o próprio BO ressalta que não foi possível identificar todas as adolescentes que eventualmente poderiam estar sendo submetidas à mesma conduta. Os policiais registraram que havia indícios de que outras alunas da instituição também poderiam ter sido abordadas ou pressionadas de forma semelhante, o que deverá ser aprofundado pela Polícia Civil.

Após a coleta inicial dos relatos, o adolescente foi conduzido pela Polícia Militar, acompanhado do responsável legal, ao núcleo policial e, posteriormente, encaminhado à Delegacia de Polícia Judiciária Civil de Tapurah, juntamente com as vítimas identificadas e seus respectivos responsáveis, para as providências cabíveis. O registro informa que ele foi apresentado sem lesões corporais.

O caso agora deve avançar para uma apuração mais aprofundada, com análise dos dispositivos eletrônicos, oitivas complementares e eventual identificação de outras vítimas e possíveis envolvidos. A investigação também deverá esclarecer se a menção à dark web tem fundamento concreto ou se fazia parte de um discurso usado para intimidar as adolescentes e dar aparência de estrutura organizada à prática. De toda forma, o conteúdo do boletim revela um cenário alarmante, com indícios de manipulação psicológica, incentivo à autolesão, ameaça e uso de meios digitais para coagir menores dentro do ambiente escolar.

 

Anúncio

MAIS LIDAS DA SEMANA