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Alerta em MT: seletividade alimentar em crianças pode comprometer crescimento e vira questão de saúde pública

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Dados apontam impacto no desenvolvimento infantil; especialistas alertam para relação com autismo

A dificuldade de crianças em aceitar determinados alimentos deixou de ser apenas um desafio familiar e passou a ser tratada como questão de saúde pública em Mato Grosso.

Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional indicam que 5,2% das crianças no estado apresentam baixa estatura para a idade, um sinal de alerta que pode estar relacionado à seletividade alimentar — especialmente em casos ligados ao Transtorno do Espectro Autista.

Segundo a médica Fernanda Nogueira, a recusa alimentar vai muito além de comportamento.
“Não é apenas birra. Para uma criança no espectro autista, a textura ou o cheiro de um alimento pode ser percebido como uma agressão física”, explica.

Ela ressalta que é essencial diferenciar a chamada “neofobia alimentar” — comum na infância — de uma condição persistente que pode afetar diretamente o desenvolvimento físico.

“O problema surge quando essa resistência deixa de ser passageira e passa a prejudicar o crescimento”, destaca.

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O cenário se agrava diante do aumento de diagnósticos: Mato Grosso já conta com mais de 6,6 mil Carteiras de Identificação do Autista (CIA) emitidas. Em Cuiabá, a rede pública tem ampliado a capacidade de identificar precocemente essas condições, evitando diagnósticos tardios.

De acordo com especialistas, a seletividade alimentar em crianças com autismo costuma ser rígida e persistente. Em alguns casos, a alimentação fica restrita a uma única cor ou textura, o que pode causar deficiências nutricionais importantes, como falta de ferro e vitaminas D e B12.

A recomendação é que pais e responsáveis fiquem atentos a sinais de alerta, como atraso na fala, pouco contato visual e dificuldade alimentar prolongada.

“Nem toda seletividade é normal. Se persiste após os 6 anos ou há engasgos frequentes, a avaliação médica é urgente”, reforça a especialista.

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