POLÍCIA
Avó é presa por segurar neta para marido estuprá-la; “avó segurava e tampava a boca da criança para silenciar seus gritos”
Foragida há 16 anos, mulher de 65 anos segurava a criança para o marido cometer os abusos; prisão ocorreu perto de Juara
O ciclo de impunidade de quase duas décadas chegou ao fim nesta segunda-feira (12). A Polícia Civil de Mato Grosso localizou e prendeu uma mulher de 65 anos, condenada por estupro de vulnerável. A vítima era sua própria neta. A captura encerra uma fuga que durava 16 anos e expõe detalhes de uma dinâmica familiar perversa ocorrida no município de Tapurah.
A caçada no interior
A operação exigiu persistência e inteligência policial. Investigadores da Delegacia de Tapurah, com apoio da unidade de Porto dos Gaúchos, rastrearam a foragida até uma região remota. Ela se escondia em uma propriedade rural localizada a cerca de 150 quilômetros da zona urbana de Juara.
O isolamento geográfico servia como escudo contra a aplicação da lei. No entanto, o cerco se fechou após diversas diligências investigativas. A mulher não ofereceu resistência e foi conduzida à Delegacia de Juara. Agora, ela está, finalmente, à disposição do Poder Judiciário.
A mecânica da crueldade
O crime choca não apenas pela violência sexual, mas pela participação ativa da figura materna da avó. As investigações apontaram um papel determinante da condenada nos abusos. Ela não apenas consentia com o ato. A mulher segurava a neta. Além disso, ela tampava a boca da criança para silenciar seus gritos e facilitar a violência praticada pelo avô — seu marido.
Essa cumplicidade ativa agravou sua responsabilidade penal. O caso ilustra a quebra absoluta do dever de cuidado que se espera de um familiar próximo. A materialidade do crime, comprovada no inquérito, revela uma brutalidade calculada contra uma vítima indefesa.
Linha do tempo da impunidade
A barbárie remonta ao ano de 2009. Na época, o casal foi preso em flagrante pela prática de estupro de vulnerável. Porém, o sistema judicial permitiu uma brecha no ano seguinte. Em 2010, a acusada obteve o direito de responder ao processo em liberdade.
Ela aproveitou a oportunidade para desaparecer. Desde então, seu paradeiro era desconhecido pelas autoridades. Enquanto ela vivia na clandestinidade, a Justiça seguiu seu curso. A condenação definitiva transitou em julgado em 2016. Contudo, a sentença permaneceu apenas no papel por mais dez anos, até a ação policial desta semana.
Perfil da condenada
Antes de se tornar uma foragida da Justiça, a mulher possuía vida pública ativa na região. Registros apontam que ela foi candidata a suplente de vereadora no município de Itanhangá, nas eleições de 2004. A transição de uma figura política local para uma criminosa condenada por um crime hediondo marca a trajetória do caso.
Para entender melhor: Estupro de VulnerávelO crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal) ocorre quando há conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 14 anos. O consentimento da vítima é irrelevante para a lei, dada sua incapacidade de defesa ou discernimento. A pena varia de 8 a 15 anos de reclusão.
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