POLÍCIA
Casal que matou e jogou bebê de 5 meses em poço vai a júri popular em MT
O juiz Rafael Depra Panichella, da Comarca de Tabaporã (675 km de Cuiabá), marcou para o dia 1º de setembro o julgamento popular de Tiago Silva Lacerda e Raquel Araújo Dias. O casal é acusado de matar e ocultar o corpo da filha, de apenas cinco meses, jogando-o em um poço desativado, em uma chácara da cidade. Depois, a dupla fugiu para outro estado.
Na mesma decisão em que marcou o julgamento, o juiz negou pedido de liberdade à Raquel, ressaltando a comoção social e a necessidade de garantia da ordem pública.
“Diante do exposto e por tudo mais que consta nos autos, mantenho a ordem de custódia de Raquel Araújo Dias, tal como foi lançada, uma vez que a necessidade da segregação cautelar restou demonstrada e subsistente, com espeque em dados concretos dos autos”, anotou o magistrado.
O crime
Conforme a ação, o crime aconteceu na manhã de 27 de dezembro de 2019, quando o casal decidiu matar a filha de cinco meses, Vitória Gabryella Dias Lacerda. Já no período da tarde, o casal resolveu destruir e ocultar o cadáver, com a intenção de garantir sua impunidade. Com isso, jogaram o corpo da menina em um poço localizado numa chácara, nos arredores da cidade.
Tão logo completaram o assassinato, os pais do bebê fugiram da cidade, e deram ordem para que uma terceira pessoa queimasse todos os objetos da criança, sem deixar vestígios. O casal somente foi encontrado em Jataí (GO) 13 dias depois, quando a Polícia Civil já investigava o desaparecimento da criança.
A PJC entrou no caso depois que moradores acionaram o Conselho Tutelar, relatando o sumiço do bebê. Uma das testemunhas disse que casal foi visto próximo a um rio da cidade, com um carrinho de bebê, mas não souberam dizer se a criança estava dentro. Depois, já viu a dupla sem o carrinho.
O carrinho de bebê foi encontrado boiando no rio logo nas primeiras ações da Polícia Civil. Contudo, partes do corpo da criança foram achadas apenas no dia 9, após a prisão dos pais da criança, em Goiás. Foram eles quem indicaram o local onde o cadáver estava enterrado. O corpo da bebê foi achado em estado de decomposição, sendo que o crânio da criança apenas foi localizado no dia 16 de janeiro.
O delegado Albertino Félix Junior, responsável pelo caso, revelou à época que a criança já tinha sido alvo de maus-tratos, sendo que, em uma das ocasiões, o Conselho Tutelar teria tirado o bebê da família. Entretanto, a Justiça determinou o retorno da criança ao lar.
O Ministério Público Estadual (MPE) anotou em sua denúncia que o crime foi cometido de forma consciente pelo casal, na clandestinidade, uma vez que foi cometido dentro de casa, e de forma que impediu a defesa da vítima, uma vez que tratava-se de um bebê.
Ainda, o MPE denunciou Tiago por feminicídio, uma vez que o crime foi praticado por uma mulher em situação de violência doméstica e familiar, considerando que o implicado era genitor da vítima Vitória Gabryella.
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