POLÍCIA

CASO BRYAN: Delegado sobre mãe assassina: “Dissimulada e personalidade voltada à criminalidade”

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O delegado Getúlio José Daniel, que esteve à frente das investigações do homicídio brutal do bebê Bryan da Silva Otoni, 5 meses, em Sorriso (420 km da Capital) e ‘conviveu’ com Ramira Gomes da Silva, 22 anos, mãe e assassina do bebê, a descreveu como “dissimulada, falsa, com personalidade mentirosa voltada à criminalidade”

 

Bryan foi morto por asfixia, esquartejado e enterrado num buraco no quintal de casa na madrugada do dia 14 de maio. No mesmo dia pela manhã, após faxinar a casa para tentar esconder os indícios do homicídio brutal, Ramira se arrumou, foi ao dentista e ‘sem pressa’ preparou a fuga, deixando a cidade no início da madrugada do dia seguinte.

 

O delegado Getúlio foi quem mais teve contato com ela e escutou da boca de Ramira detalhes da execução cruel de Bryan, quando ela narrou minuciosamente do momento em que começou a pressionar o rosto do próprio filho com um travesseiro até o ponto de colocar o bebê na pia e cortar os ‘bracinhos’ e as pernas para facilitar a ocultação do cadáver.

 

O delegado descreveu toda sua percepção quanto à assassina que teve coragem de esquartejar o próprio filho para ‘se livrar dele’.

 

Em sua fala, o delegado ressaltou passagens criminais confessadas pela própria acusada durante passagem pela cidade do Rio de Janeiro, onde aplicou golpes e furtos. Destacou ainda os poucos momentos de choro sem credibilidade durante os depoimentos tentando comover os investigadores.

 

“Dissimulada, falsa, personalidade de mentirosa voltada à criminalidade, já tinha antecedentes. É aquela pessoa que não tem ética e que procura atingir seus objetivos independente de quem ela precisar lesar. Às vezes ela chegava a chorar, mas um choro muito falso. Não tem como identificar realmente se ela sente algum remorso sincero. Remorso talvez tenha por ter sido presa, mas se não tivesse sido pega com certeza estaria bem de boa”, relatou Dr. Getúlio.

“Dissimulada, falsa, personalidade de mentirosa voltada à criminalidade, já tinha antecedentes. É aquela pessoa que não tem ética e que procura atingir seus objetivos independente de quem ela precisar lesar.

 

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Sobre a premeditação do crime, o delegado afirmou que há evidências de que Ramira tinha a intenção de se livrar da criança há algum tempo, no entanto, não tem como afirmar que a forma como ela o fez foi premeditado ou se decidiu no momento dos fatos.

 

“Já temos indícios aí que ela já tinha a intenção de “se livrar da criança”. Não sei se ela já tinha premeditado o homicídio, mas ela já tinha essa intenção há algum tempo é certo”.

 

Por se tratar de um crime tão brutal e de tamanha crueldade contra uma vítima sem a mínima defesa, questionamos a Getúlio a possibilidade de a defesa de Ramira tentar alegar algum tipo de distúrbio mental ou insanidade para evitar a cadeia

 

O chefe das investigações explicou que no decorrer das investigações se o ‘suspeito’ apesenta algum indício de problemas psicológicos e surge dúvida quanto a essa possibilidade é requerido na Justiça o exame de Incidente de Insanidade Mental.

 

“Ela não demonstra nenhum tipo de problema psicológico. Durante o inquérito policial se a gente verifica indício de problema psicológico é feito uma requisição para o juiz e realizado exame de Incidente de Insanidade Mental, mas nesse caso, ela não demonstra nenhum indício de problema mental. O que excluiria a punibilidade seria uma doença mental e ela [Ramira] não tem indício nenhum. Ela é falsa e dissimulada mesmo, nada de doença não”, explicou.

 

Ainda sobre o caso, já que o inquérito foi concluído, perguntamos ao delegado se todo o crime foi cometido apenas por Ramira ou se há indícios de outros envolvidos.

 

“A gente tem um prazo de dez dias, a partir da prisão do réu, para apresentar o inquérito ao Judiciário, todavia, as investigações paralelas não param e se a gente identificar após a entrega do documento outros participantes ou novos indícios a gente junta nos autos posteriormente. Mas até o momento tudo indica que ela [Ramira] é a única participante do homicídio”.

 

Dr. Getúlio entregou o inquérito para apreciação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) nessa quinta-feira (27), porém, acrescentou que as investigações continuam paralelamente.

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Sobre os próximos passos, o delegado explicou que agora é aguardar o posicionamento do Ministério Público, que certamente deve denunciar Ramira à Justiça.

 

“É um caso único né, vamos ter que aguardar a decisão do Juri sobre a pena, mas provavelmente, deve passar de 20 anos”, concluiu o delegado.

 

Experiência

 

O Delegado Getúlio confessou que o caso Ramira/Bryan foi o homicídio com maior crueldade de sua carreira, além da grande comoção social e de maior repercussão.

 

Ele fez um paralelo com o também recente caso de homicídio contra criança que é o caso ‘menino Henry’, no Rio de Janeiro, que teve repercussão nacional.

 

“É um contrassenso esses casos, a pessoa que deveria dar proteção à guarda, cuidado, amor, além das questões materiais como alimentação, vestuário, educação, …, pratica atos de crueldade, violência a quem deveria cuidar”.

 

Sobre os trabalhos, desde o dia 17, quando o bebê Bryan foi desenterrado no quintal da casa onde morava com a mãe, Dr. Getúlio comprovou várias teses e a principal delas foi a dedicação ao caso, principalmente nas primeiras 48 horas, dele e de toda equipe envolvida, o que possibilitou a prisão de Ramira nas primeiras 24h de inquérito.

 

Getúlio explicou que as evidências e provas devem ser colhidas imediatamente, por isso, duas perícias na casa onde os fatos aconteceram, o que foi essencial para responder muitas perguntas até então sem respostas contribuindo para a eficácia da investigação.

 

“As primeiras 48 horas são imprescindíveis para elucidação dos homicídios. E esse foi um caso que a gente conseguiu prender a suspeita em menos de 24 horas. O crime aconteceu no dia 14, foi descoberto no dia 17, quando ela já estava longe, mas no dia 18 foi presa. Foi um trabalho ininterrupto nesses dois dias muito eficiente e exemplar de dedicação dos investigadores e toda a equipe envolvida. Quando a gente de depara com um crime temos que nos dedicar imediatamente a ele, não pode dar tempo. O tempo naturalmente vai desaparecendo com os vestígios do crime”

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