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Cocaína líquida escondida em madeira: apreensão histórica pode chegar a 50 toneladas e expõe esquema internacional em MT

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Operação envolvendo Brasil, Bolívia e Estados Unidos identificou carregamentos suspeitos em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; droga estava misturada à madeira para dificultar a fiscalização

Uma operação internacional de combate ao tráfico de drogas resultou na descoberta de um sofisticado esquema de transporte de cocaína líquida escondida em cargas de madeira que passavam pela fronteira entre Brasil e Bolívia. A apreensão, considerada uma das maiores já registradas no mundo, pode chegar a até 50 toneladas de cocaína após a conclusão dos exames periciais.

 

A ação contou com a atuação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro, autoridades dos Estados Unidos e da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia. O trabalho de inteligência permitiu o monitoramento de caminhões suspeitos e culminou na interceptação de oito veículos carregados com madeira.

Do total, quatro caminhões foram abordados em Cáceres, no Mato Grosso, e outros quatro em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Testes preliminares realizados pelas equipes confirmaram a presença de cocaína na carga transportada.

 

Segundo as autoridades, a droga estava dissolvida e impregnada na madeira, um método utilizado para dificultar a identificação durante fiscalizações de rotina. A estimativa inicial aponta que entre 10% e 20% do peso da madeira possa corresponder ao entorpecente. Caso os cálculos sejam confirmados, a carga poderá conter entre 20 e 50 toneladas de cocaína.

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Método antigo, mas cada vez mais sofisticado

Especialistas ouvidos durante as investigações explicam que a chamada “cocaína líquida” não é uma novidade no mundo do narcotráfico. A técnica consiste em dissolver a droga em solventes específicos para facilitar sua ocultação em diferentes materiais, incluindo madeira, tecidos, alimentos e outros produtos legalizados.

 

De acordo com estudiosos do tema, o método já era utilizado por grandes organizações criminosas nas décadas de 1970, 1980 e 1990. O narcotraficante colombiano Pablo Escobar não teria criado a técnica, mas ajudou a aperfeiçoar e popularizar estratégias semelhantes durante o auge do Cartel de Medellín.

 

A principal vantagem para os criminosos é que a droga pode ser transportada de forma disfarçada e recuperada posteriormente no destino final por meio de processos químicos.

Investigação continua

As cargas apreendidas eram compostas por madeira das espécies cedro e aroeira, normalmente utilizadas pela indústria moveleira. Apesar de a documentação ter sido apresentada regularmente por meio do Portal do Comércio Exterior, a Polícia Federal investiga agora se as transportadoras tinham conhecimento do esquema criminoso ou se houve adulteração da carga após o carregamento.

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Imagens divulgadas pelas autoridades mostram o trabalho dos agentes e de cães farejadores durante a fiscalização. Em seguida, as equipes perfuraram as toras de madeira para coletar amostras que foram submetidas aos testes químicos.

Ligação com apreensão recorde no Chile

As investigações também apontam possível conexão com uma apreensão realizada recentemente no Chile. No último dia 6, autoridades chilenas interceptaram cerca de 100 toneladas de cocaína ocultadas em madeira utilizando método semelhante.

 

Informações compartilhadas pelos Estados Unidos indicam que os carregamentos apreendidos no Chile e no Brasil podem ter origem no mesmo centro de produção localizado na Bolívia.

 

A Receita Federal informou que a quantidade exata da droga só será confirmada após a extração completa do entorpecente da madeira. Caso as estimativas iniciais sejam comprovadas, a operação poderá entrar para a história como a maior apreensão de cocaína já realizada em território brasileiro.

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