CIDADES

Delegado descreve frieza e comportamento calculado de ex-marido durante júri do caso Raquel Cattani

Publicado em

O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri foi a primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri que julga os irmãos Romero e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados pelo feminicídio da produtora rural Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL). O crime ocorreu em julho de 2024, na zona rural do município de Nova Mutum, em Mato Grosso.

Durante o depoimento, o delegado afirmou que chamou a atenção da equipe de investigação o comportamento considerado astuto, calculista e frio de Romero, ex-marido da vítima. Segundo Negri, desde os primeiros contatos, o acusado apresentava respostas cuidadosamente pensadas, observava com atenção os interlocutores e não demonstrava qualquer reação emocional compatível com a gravidade do crime.

Ausência de emoção levantou suspeitas

Ao responder aos questionamentos do Ministério Público, o delegado destacou que a ausência de sinais de tristeza, choque ou inconformismo por parte do ex-marido foi um dos fatores que mais causaram estranheza à equipe investigativa. Para a Polícia Civil, o comportamento destoava do esperado para alguém que havia perdido a ex-companheira de forma violenta.

O depoimento também trouxe à tona relatos de perseguição, controle e comportamento obsessivo atribuídos a Romero antes do homicídio. Testemunhas relataram aparições inesperadas, vigilância constante e atitudes que teriam causado medo em Raquel.

Leia Também:  URGENTE: Homem agride esposa com socos e empurrões e é preso em MT

Embora não existam registros de agressões físicas anteriores, o delegado classificou o histórico como violência psicológica, com impacto profundo sobre a vítima e também sobre os filhos.

Pressentimento da vítima

Testemunhas próximas relataram que Raquel demonstrava temor nos dias que antecederam o crime. Uma delas afirmou ter ouvido da própria produtora rural que, caso algo lhe acontecesse, o responsável seria o ex-marido. Para a Polícia Civil, esses relatos ajudaram a contextualizar o estado emocional da vítima e reforçaram a linha investigativa inicialmente adotada.

Dinâmica do crime e investigação

Responsável pela condução do inquérito, o delegado detalhou a dinâmica do crime, que resultou na morte de Raquel dentro da própria residência, localizada no assentamento Pontal do Marape.

Segundo Negri, após a comunicação do homicídio, a Polícia Civil atuou de forma simultânea em duas frentes. Enquanto uma equipe seguiu para o local do crime, outra iniciou diligências em Tapurah, onde Romero se encontrava naquele momento.

O ex-marido se apresentou espontaneamente às autoridades e teve sua rotina, deslocamentos e registros analisados logo no início da apuração. As investigações preliminares apontaram que ele havia circulado por diferentes locais antes do crime, e imagens de câmeras registraram seu veículo saindo de Tapurah em direção à região onde Raquel morava.

Leia Também:  Homem é baleado após tentar esfaquear funcionário de açougue

Na residência, os policiais encontraram a cena preservada, com indícios claros de arrombamento por uma janela nos fundos. Raquel foi encontrada caída entre o banheiro e o quarto, com múltiplas lesões de defesa nos braços e antebraços, provocadas por golpes de faca.

Outro detalhe que chamou a atenção foi o fato de apenas o quarto da vítima ter sido revirado, o que, segundo a investigação, indicou uma possível tentativa de simular um roubo.

Mudança no foco da investigação

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil concluiu que Romero não estava no local no momento do crime. Conforme relatado em juízo, ele apresentou um álibi considerado consistente, sustentado por provas técnicas, registros de deslocamento e análises digitais.

Diante disso, o foco da investigação passou a se concentrar na identificação do autor material do homicídio. As provas reunidas apontaram para Rodrigo Xavier Mengarde, irmão de Romero, como o executor do crime.

Em interrogatório, Rodrigo confessou que invadiu a residência ao arrombar uma janela, entrou no imóvel e permaneceu escondido aguardando a chegada de Raquel. Segundo o delegado, a vítima percebeu algo estranho ao sentir um cheiro diferente no ambiente e tentou identificar a origem antes de ser atacada.

O julgamento segue em andamento no Tribunal do Júri.

Anúncio

MAIS LIDAS DA SEMANA