POLÍCIA

Delegado e agente temiam serem descobertos e dividiram fiança de preso em MT

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A decisão que resultou na prisão do delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues, e também do investigador, Marcos Paulo Angeli, demonstrou que a dupla temia ser descoberta por conta de um episódio semelhante ocorrido no Pará. O grupo também lamentou uma operação da Polícia Federal, realizada em 2023, já que um dos alvos entregava uma “mesada” de R$ 2 mil ao delegado.

 

O delegado e o investigador da PJC foram alvos da Operação Diaphthora, deflagrada nesta quarta-feira (17), com o objetivo de desmantelar um esquema de corrupção envolvendo, além dos dois agentes, garimpeiros e advogados. Na ação, foram cumpridas 12 determinações judiciais, sendo as duas prisões, além de sete mandados de busca e apreensão e três medidas cautelares.

 

Geordan Fontenelle foi nomeado no dia 16 de novembro de 2021 como delegado substituto. O estágio probatório dele terminaria apenas em novembro deste ano, após 36 meses conforme a Emenda Constitucional 19/1998, da lei 8.112/1990, a respeito do prazo de estágio probatório.

 

Como delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, ele recebia o sálario de R$ 35,4 mil. Já o investigador Marcos Paulo Angeli está na PC desde 2002 e possui uma remuneração de R$ 25 mil.

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Informações extraoficiais dão conta de que ele também já possui processo anterior por suposto caso de corrupção. Os servidores são apontados nas investigações como mentores e articuladores, aliados a um advogado e garimpeiros locais.

 

A investigação teria se iniciado após a Justiça ter permitido uma escuta realizada através de captação ambiental no telefone fixo do gabinete do delegado Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues, confirmando assim o envolvimento dele em vários crimes. Segundo a equipe de inteligência da Polícia Civil, o local funcionava como um “gabinete do crime”, onde ele realizava até mesmo reuniões de portas fechadas para pedir propina a empresários que atuam em garimpos da região.

 

Em uma das conversas interceptadas, o delegado Geordan e o investigador Marcos Paulo Angeli combinam uma propina de R$ 15 mil para devolver um carro para uma vítima que havia registrado um boletim de ocorrência relativo a um golpe de intermediação de compra e venda de veículo. Na conversa, eles acertam que o valor deveria ser dividido igualmente, para cada um deles.

 

A dupla também demonstrou a necessidade de ter cautela na condução dos “negócios”, chegando a comentar a prisão do delegado Clóvis César Reis Bueno, de 45 anos, suspeito de cobrar propina de R$ 15 mil para liberar um caminhão apreendido em Santana do Araguaia (PA). Ele foi afastado das funções pela Polícia Civil do Pará e acabou sendo preso em Palmas, no Tocantins.

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FIANÇA E HERMES

Outro episódio relatado na decisão diz respeito ao arbitramento de uma fiança a Ademir Pereira Gomes, que teria sido estipulada em R$ 10 mil. O montante para liberação do detido foi pago, mas na verdade, apenas R$ 1 mil foi efetivamente recolhido. Os R$ 9 mil restantes foram divididos entre a dupla e a advogada que acompanhou o suspeito, identificada como Angelita Kemper, que não sofreu nenhuma medida da Justiça. Em contato com FOLHAMAX a advogada explicou que não foi investigada e não sofreu nenhuma busca e apreensão por ausência de provas contra ela.

 

Outra preocupação da dupla se deu após a deflagração da segunda fase da Operação Hermes, em novembro de 2023. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa no comércio e uso ilegal de mercúrio.

 

Um dos mandados foi cumprido em Peixoto de Azevedo e tinha como alvo a Cooperativa dos Garimpeiros de Peixoto (Coogavepe). As escutas flagraram o delegado relatando que recebia R$ 2 mil mensais da instituição, que passou por intervenção da Polícia Federal e do Instituto Nacional do Meio Ambiente (Ibama).

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