POLÍCIA

Idosa perde barraco em incêndio e pede ajuda para recomeçar

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Aos 63 anos, enfrentando as dores da osteoporose, artrose e hérnia de disco, Andréia Ana de Matos levou uma rasteira da vida. Ela morava há 4 anos em um barraco de madeira às margens da avenida Clóvis Maciel de Figueiredo, no bairro Doutor Fábio 1, em Cuiabá, e na quarta (12) recebeu a notícia de um vizinho: “dona Andréia, queimaram seu barraco”. Agora precisa de ajuda e doações para reconstruir a vida.

“Eu estou me sentindo derrubada, não escondo não. Eu fico muito triste porque eu não sei fazer mal a ninguém e porquê esse filho de Deus veio fazer isso comigo? Eu não tinha nada e ele não teve piedade de fazer isso comigo”, disse entre lágrimas à reportagem do GD.

O suspeito de provocar o incêndio, segundo a idosa, seria um vizinho usuário de drogas. “Ele falou para o amigo dele que ia tacar fogo no barraco. O amigo falou pra não fazer, mas fez mesmo assim. Ele vinha aqui pedir isqueiro, eu dava, vinha pedir água gelada, eu dava. Eu não sei negar nada a ninguém. Não sei porque ele foi fazer isso, não entendo o porquê. Eu toda vida ajudei ele como podia. Não queria amizade, mas quando precisava eu ajudava”, lembra.

Ela nega ter tido qualquer desentendimento com vizinho e diz que desde o incêndio ele não foi mais visto na região. Questionada se notou o sumiço de algum bem seu, ela conta que o botijão de gás não estava na casa e mais tarde tomou conhecimento de que o tal vizinho o havia vendido.

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Na terça (11), Andreia havia passado a noite na casa do irmão, ela e seu companheiro José Alves, 68. Ao ser informada da tragédia, tomou dois calmantes para se preparar para o baque que viria em seguida. “Ter dormido lá foi a nossa sorte, porque queimou tudo. Cheguei aqui e não tinha mais nada. Televisão, geladeira, prateleira, fogão, máquina de lavar, não ficou nada. Eu tava anestesiada pelos calmantes naquele dia, mas quando passou o efeito eu chorei tanto, chorei demais da conta”.

Das chamas restaram 6 vestidos e a pia que fica do lado de fora. No chão e na vegetação ao redor há vestígios do incêndio e restos do entulho que já foi levado e cinzas. “Tô me sentindo derrubada. Como vou fazer? Não tenho dinheiro para fazer nada. Eu recebo auxílio do governo e gasto quase tudo em remédio, sobra R$120, com sorte R$ 170 para passar o mês, para comprar mistura. Só uma caixa de injeção é R$ 90 reais e tem que fazer remédio manipulado. É tudo muito caro”. Ela ressalta que só não perdeu os remédios no incêndio porque tem costume de carregá-los sempre em uma mochila aonde quer que vá.

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Andréia revela que se não fossem pelas doações de alimento que recebe,não teria como sobreviver. Após o incêndio, algumas pessoas se uniram e construíram novamente um barraco de tábua. Dentro, há duas camas recebidas também por pessoas que se sensibilizaram com o ocorrido, mas ainda falta muito para Andreia e José como roupas, alimentos e eletrodomésticos básicos como geladeira e fogão.

Ação judicial

O líder comunitário Mário Benevides está acompanhando o caso de Andréia e conta que ela deveria ter sido contemplada com uma casa pela Prefeitura devido ao fato de o terreno estar localizado em uma área de risco, sob fios de alta tensão. Contudo, houve um entrave no sorteio das casas e neste sentido, há uma ação na Justiça em andamento que busca reaver o direito da idosa de ter uma casa.

Ela explica que não acionou a polícia, pois acredita que se chegar a ser preso, o suspeito solto em pouco tempo e teme que ele se volte contra ela e faça algo pior.

Os interessados em ajudar Andreia podem entrar em contato pelo telefone (65) 99900-8188.

Gazeta Digital

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