CIDADES
Justiça nega devolução de RAM apreendida em operação contra esquema milionário em MT
O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou o pedido de restituição de uma caminhonete RAM 2500 Laramie, ano/modelo 2022, apreendida durante a Operação Safe Truck, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar com receptação de peças automotivas e lavagem de dinheiro.
A decisão foi proferida nesta quinta-feira (12). O pedido havia sido apresentado por uma mulher identificada pelas iniciais D. L. S. B, que afirmou ser a proprietária do veículo. Segundo ela, a caminhonete teria sido apenas emprestada ao empresário investigado Edson Francisco Soares Junior, conhecido como “Formiga”, no momento em que ocorreu a apreensão.
A requerente alegou ainda que o automóvel foi adquirido de forma lícita e que a posse do investigado seria apenas circunstancial.
No entanto, ao analisar o pedido, o magistrado destacou que o veículo foi apreendido no contexto de uma ação penal que investiga Edson por participação em uma organização criminosa especializada na receptação de peças de veículos furtados e na lavagem de dinheiro por meio de empresas do setor automotivo.
Entre as empresas citadas na investigação está a E-Truck Auto Peças Ltda, apontada como utilizada para realizar movimentações financeiras do grupo criminoso.
Outro ponto levantado pelo juiz é que a própria mulher afirmou ter comprado o veículo justamente da empresa ligada ao investigado. Além disso, a caminhonete foi encontrada na posse de Edson no momento da apreensão, e o suposto empréstimo não foi comprovado de forma suficiente no processo.
O magistrado também destacou que os comprovantes de pagamento apresentados são parciais e mostram transferências isoladas que não correspondem ao valor total do veículo, levantando dúvidas sobre a real aquisição do bem.
Diante das inconsistências, o juiz concluiu que não há prova suficiente da propriedade nem da origem lícita da caminhonete, motivo pelo qual negou o pedido de restituição.
Segundo as investigações da Polícia Civil, uma quadrilha com mais de 30 integrantes teria movimentado cerca de R$ 60 milhões com os crimes investigados.
Durante a operação, foram apreendidos 199 módulos de caminhões, avaliados em aproximadamente R$ 30 mil cada, totalizando mais de R$ 5,9 milhões.
Também foram apreendidos oito veículos, entre eles Jeep Compass, Jeep Cherokee, dois Toyota Corolla, VW T-Cross, Toyota Hilux, Ford Ranger e uma Dodge Ram, com valor estimado em mais de R$ 1,3 milhão.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 1,4 milhão em contas bancárias ligadas aos investigados.
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