POLÍCIA

Mãe de menino de 3 anos agredido em escola depõe à polícia

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A mãe do garotinho de 3 anos que foi agredido dentro de uma escola municipal de Brumadinho prestou depoimento à Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (5). Uma diretora e duas professoras foram afastadas da escola, na véspera.

“Estou desolada! Só Deus sabe como eu estou, não tenho conseguido dormir e muito menos me alimentar. Só quero justiça! Vou até o fim para descobrir os culpados. Ao mesmo tempo, estou revoltada com ódio e com um sentimento de impotência”, disse a mãe ao g1 Minas, em conversa nesta sexta-feira (6).

Segundo ela, o menino, que tem deficiência, está se recuperando bem, mas ainda sente dores pelo corpo.

“Ele está se recuperando bem, mas ainda sente dor no corpinho e principalmente na cabeça. Ele tá muito abalado e demonstrando comportamento muito diferente do comum. A prefeitura mandou psicóloga para ajudá-lo”, disse a mãe.

Além da aflição para saber o que houve, a mãe lida com o desemprego.

“Estou desempregada e não posso sair para procurar emprego, preciso ficar com meu filho em casa. Não tenho coragem de mandá-lo para a escola. Não tenho confiança em deixar ele voltar – e se acontecer de novo? Não quero nem pensar nisso”, lamentou a técnica de radiologia.

As agressões aconteceram na terça-feira (3). A criança estuda na escola há apenas 3 meses.

“Não quero que meu filho seja apenas mais um caso, para que ele saiba que eu não pude impedir que ele sofresse, vou lutar pela punição de quem fez isso”.

DIRETORA E PROFESSORAS AFASTADAS

A Secretaria Municipal de Educação afastou as três profissionais – a diretora e duas professoras da EMEI Parque da Cachoeira – que eram as responsáveis por cuidar dos alunos no momento em que ocorreram as agressões.

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” A decisão foi tomada no fim da tarde de quarta-feira (04/05) depois de uma longa reunião com uma equipe multidisciplinar, que contou com a participação dos responsáveis pelos alunos”.

Além disso, foram entregue à Polícia Civil as imagens de circuito interno da escola e a prefeitura disse que “está trabalhando para que todo o caso seja esclarecido o mais rápido possível”.

A secretaria lamentou “profundamente o incidente ocorrido” e disse que está fazendo “investigação rigorosa”.

‘MÉDICO DISSE QUE MEU FILHO FOI TORTURADO’

Na primeira nota enviada pela prefeitura, foi dito que a agressão foi cometida por outra criança, durante uma ausência da professora:

“(…) uma criança sofreu ferimentos após ser agredida por outra, enquanto dormia. De acordo com a direção da Escola, o episódio ocorreu após o educador se ausentar da sala para acompanhar uma outra criança que precisava ir ao banheiro. Na ausência do profissional houve a agressão”.

Em um segundo comunicado, a prefeitura disse que, como ainda não há laudos, “momentaneamente não há como afirmar nada sobre o autor das agressões, sendo inverídicas as afirmações que circularam pelas redes sociais de que as agressões teriam sido realizadas por um adulto”.

Já a mãe da criança disse que o médico que o atendeu no IML de Betim ficou impressionado com o grau das lesões na criança.

“O médico lá ficou horrorizado. Ele disse que meu filho foi torturado, porque ele falou que em todo o tempo dele de serviço nunca tinha visto uma criança tão machucada… que é muito pouco provável que uma criança de 3 anos fazer, causar tantos danos fisicamente a uma outra criança de 3 anos,” disse a mãe.

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No boletim de ocorrência da Polícia Militar consta que “a vítima sofreu um corte profundo na cabeça e tem escoriações e hematomas ao longo do corpo”. No registro policial, a diretora da escola afirmou que não sabia explicar o que aconteceu com a criança.

Pela quantidade e gravidade dos ferimentos, a mãe do menino foi orientada a fazer um exame de corpo de delito nele. O laudo deve ficar pronto em até 30 dias e será encaminhado para a polícia.

A mãe da criança disse que é a primeira vez que o garoto sofre agressões na escola.

Segundo ela, seu filho não soube dizer quem o machucou e só conseguia dizer que “bateram no rostinho” dele.

A família quer uma resposta e punição para os culpados.

“Eu quero uma resposta do que aconteceu, porque minha irmã levou meu sobrinho para escola bem, levou ele sem nenhum hematoma, quero ver quem vai responsabilizar por isso”, disse a tia da vítima.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou, na quarta-feira (4) que a investigação “segue em andamento, apurando as circunstâncias dos fatos e tão logo os laudos periciais sejam concluídos serão repassadas as informações”.

O g1 Minas procurou a Prefeitura de Brumadinho mais uma vez nesta sexta-feira (6), para ver o andamento das investigações. A resposta foi que “não há atualização sobre o fato. As educadoras seguirão afastadas até que as investigações sejam concluídas”.

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