POLÍCIA

“Não façam nenhum mal contra a vida dela”: filha de Angeliquinha faz apelo após prisão da mãe na Bolívia

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Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, teria realizado mais de cinco procedimentos estéticos para modificar a aparência enquanto permanecia foragida da Justiça. Presa nesta terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, ela acumula condenações que ultrapassam 260 anos de prisão e tinha seis mandados de prisão em aberto.

Apontada pelas investigações como uma das principais lideranças de uma organização criminosa com atuação no norte de Mato Grosso, Angélica estava foragida desde agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

A captura aconteceu após um trabalho conjunto entre a Polícia Civil de Mato Grosso e autoridades bolivianas.

Segundo o delegado Vitor Hugo Caetano, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), Angeliquinha foi localizada em uma rua de Santa Cruz de la Sierra e apresentou aos policiais um documento brasileiro com identidade diferente da verdadeira.

A estratégia não funcionou porque as autoridades já tinham realizado a identificação facial da investigada e repassado as informações à polícia boliviana.

“Ela apresentou o documento diverso, mas já tínhamos feito a identificação facial e as informações foram repassadas para a Polícia Boliviana. Não teve como ela ter sucesso”, explicou o delegado.

Mais de cinco procedimentos para mudar aparência

De acordo com o delegado, Angeliquinha teria realizado mais de cinco procedimentos estéticos, alguns deles diretamente no rosto, numa tentativa de modificar suas características físicas e dificultar sua identificação.

Vitor Hugo afirmou que mudanças na aparência podem ser utilizadas por criminosos procurados para tentar escapar das autoridades.

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“É uma prática comum entre criminosos, sobretudo foragidos e líderes de organizações criminosas, desfigurar o rosto por meio de cirurgias estéticas para alterar a feição”, afirmou.

Segundo ele, Santa Cruz de la Sierra possui ampla oferta de procedimentos estéticos, inclusive com custos menores, circunstância que pode facilitar esse tipo de estratégia.

Filha se manifesta após prisão

Após a prisão da mãe, a influenciadora digital Kauany Beatriz se manifestou nas redes sociais e pediu proteção para Angélica.

Na publicação, a jovem afirmou reconhecer que as condutas atribuídas à mãe não seriam corretas, mas ressaltou o vínculo familiar e pediu que nada acontecesse contra ela.

“Deus cuide de você minha rainha, que nem um mal te aconteça em nome de Jesus, amém. Não façam nem um mal contra a vida dela. Não é certo, mas é minha mãe”, escreveu.

Mais de 260 anos de condenações

Segundo as informações das autoridades, Angélica possui condenações que, somadas, ultrapassam 260 anos de prisão por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.

Ela também possuía seis mandados de prisão em aberto.

As investigações apontam ainda que Angeliquinha exerceria influência sobre atividades criminosas na região de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, incluindo tráfico de entorpecentes e outras práticas investigadas pelas forças de segurança.

Na Bolívia, ela estaria vivendo em uma residência de alto padrão, com piscina. A Polícia Civil investiga a origem dos recursos utilizados para sustentar o padrão de vida mantido pela foragida no país vizinho.

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Operação mirou núcleo familiar

O núcleo familiar de Angeliquinha também entrou no radar da Polícia Civil.

Em março, a instituição deflagrou a Operação Showdown, que teve como alvos pessoas ligadas à família da investigada. Conforme a apuração policial, integrantes do núcleo familiar são investigados por supostamente auxiliarem atividades criminosas e na movimentação de recursos que teriam origem ilícita.

Ao todo, foram cumpridas 31 medidas judiciais, entre prisões, mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias, sequestro de veículos e imóveis e suspensão de empresas.

Durante a investigação, a Polícia Civil identificou uma movimentação financeira superior a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses.

Segundo os investigadores, os valores movimentados seriam incompatíveis com os rendimentos declarados pelos alvos da operação.

Também são apurados possíveis vínculos dos investigados com atividades ilegais em áreas de garimpo na região de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.

Prisão na Bolívia

Desde a fuga da penitenciária em Cuiabá, investigadores já trabalhavam com informações de que Angeliquinha poderia ter deixado Mato Grosso em direção à Bolívia.

O trabalho de inteligência permitiu acompanhar endereços, contatos e pessoas ligadas à investigada até sua localização em Santa Cruz de la Sierra.

Com a prisão realizada, as autoridades brasileiras e bolivianas devem seguir os procedimentos legais necessários para que Angélica seja entregue ao Brasil e colocada novamente à disposição da Justiça.

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