MATO GROSSO
Operação Iter Mali: Polícia Civil prende advogada que atuava como “contadora do tráfico” em MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Iter Mali, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro em Cuiabá e Várzea Grande.
Ao todo, foram cumpridos 28 mandados judiciais, sendo nove de prisão preventiva, nove de busca e apreensão e dez bloqueios de contas bancárias, com indisponibilidade de valores dos investigados. As ordens foram expedidas pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Várzea Grande e cumpridas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
As investigações tiveram início em 2024, após uma apreensão de drogas e dinheiro que revelou a existência de uma estrutura criminosa altamente organizada, com divisão clara de funções entre os integrantes. Segundo a polícia, o grupo atuava desde o fornecimento das drogas até a distribuição e comercialização em pontos de venda.
Um dos principais alvos da operação é uma advogada, companheira de um dos líderes do grupo, apontada como responsável pela parte financeira e jurídica da organização criminosa. De acordo com as investigações, ela não apenas prestava serviços advocatícios, mas também atuava diretamente na movimentação de valores ilícitos, utilizando contas de terceiros e transferências via PIX para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Em uma ação anterior, realizada na residência da investigada, foram apreendidos uma pistola calibre 9 milímetros, um carregador com 25 munições e um cofre contendo mais de R$ 10,7 mil em espécie, valor ligado ao tráfico de drogas.
A Polícia Civil também identificou que os integrantes utilizavam termos codificados como “parafuso”, “bala” e “farinha” para se referirem aos entorpecentes, demonstrando o nível de organização e tentativa de ocultação das atividades ilícitas.
A estrutura do grupo era dividida entre liderança, responsável pela aquisição e distribuição das drogas; operadores, que realizavam o fracionamento e a logística; vendedores, que atuavam diretamente nos pontos de comercialização; e o setor financeiro, responsável por ocultar e movimentar os lucros do tráfico.
A operação contou com apoio do Poder Judiciário, do Ministério Público Estadual e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanhou o cumprimento do mandado de prisão da advogada, respeitando as prerrogativas legais da profissão.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento financeiro da organização criminosa.
O nome da operação, “Iter Mali”, tem origem no latim e significa “caminho do mal” ou “rota do crime”, fazendo referência à estrutura logística utilizada pelo grupo para operacionalizar o tráfico de drogas.
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