OPERAÇÃO AUTOIMUNE

Preso pela PF, empresário de Cuiabá usa clínica de estética da esposa em crimes

Os envolvidos movimentaram R$ 4 milhões em apenas 10 meses.

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A Polícia Federal afirmou que o líder do esquema, um empresário cuiabano, que foi preso na manhã desta quinta-feira (17), em Cuiabá, na deflagração da Operação Autoimune, usava a clínica de estética da esposa como fachada para o crime. A declaração ocorreu durante coletiva à imprensa realizada na sede da PF, na Capital.

 

 

“A empresa dele era cadastrada com duas atividades principais e uma delas era a comercialização de medicamentos. Só que essa empresa não detinha autorização para funcionamento e nem autorização da Anvisa e jamais poderia comercializar medicamentos. Ele recebia e repassava os produtos em uma clínica de estética da esposa, que também era a sede da empresa, que se tratava na verdade de um galpão”, informou o delegado Regional de Combate ao Crime Organizado, Jorge Vinícius Gobira Nunes.

Se condenado, o empresário informou que o líder pode pegar a pena de 23 anos. Conforme a PF, as investigações que desmantelaram o esquema de transporte coletivo e comercialização de medicamentos falsificados começou com estudantes brasileiros de medicina de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. “Eles mantinham contato com fornecedores paraguaios e os traziam para distribuir em todo território nacional”, explicou o delegado.

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Os envolvidos movimentaram R$ 4 milhões em apenas 10 meses. Foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal 32 mandados de busca e apreensão e 01 mandado de prisão preventiva para cumprimento nos estados Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santos.

 

 

Em Mato Grosso, as ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá e Campo Verde. Ainda conforme o delegado Jorge ressaltou que os medicamentos eram vendidos para distribuidoras de remédios, clínicas particulares, bem como hospitais públicos.

 

 

A investigação continua para identificar mais “cabeças” que compõe a quadrilha e saber os valores, que de fato, os envolvidos movimentaram desde o início do esquema. “Já temos elementos que comprovam que o valor supera os R$ 4 milhões. Essas pessoas investigadas não pararam de fazer a comercialização desses medicamentos e se espera que o prejuízo seja bem maior”, comunicou Jorge Vinicíus.

 

 

A OPERAÇÃO

 

 

As investigações tiveram início com uma apreensão no Aeroporto Internacional de Campo Grande/MS de várias caixas de medicamento de origem argentina contendo o princípio ativo “Neostigmina” desacompanhadas de documentação que comprovassem sua entrada regular no território nacional. A ação é fruto do compartilhamento de informações entre a Polícia Federal e a ANVISA, e o trabalho de análise do material apreendido durante Operação Miastenia, deflagrada em agosto deste ano.

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A primeira fase da operação possibilitou que os investigadores tomassem conhecimento de que o mercado paralelo de medicamentos estrangeiros contava com a participação de diversas empresas de fachada, sendo praticado em 65 municípios do país localizados em 16 Estados e no Distrito Federal, tendo movimentado, em 10 meses, cerca de R$ 4 milhões. Ademais, nessa operação, foi apreendida uma caixa do medicamento imunoglobulina com origem argentina e comprovadamente falsificado.

 

 

O nome da Operação deve-se ao emprego dos medicamentos importados no tratamento de diversas doenças autoimunes, ou seja, patologias nas quais o sistema imunológico ataca células saudáveis, levando ao desenvolvimento dos mais variados sintomas.

 

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