- POLÍTICA NACIONAL
Defesa pede a Moraes que Bolsonaro cumpra pena em casa e alega risco de morte caso ex-presidente seja levado à Papuda
Advogados dizem que quadro clínico é grave, citam “soluços incoercíveis” e afirmam que transferência ao presídio representaria ameaça imediata à vida; equipe tenta prolongar recursos para evitar trânsito em julgado
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira (21) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mantenha o político em prisão domiciliar humanitária, alegando que o quadro de saúde do ex-chefe do Executivo é incompatível com o sistema prisional.
O pedido chega no momento em que, nos bastidores do Supremo, a chamada “Papudinha” — unidade que funciona dentro do 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, no complexo da Papuda — é vista como o destino mais provável do ex-presidente.
Defesa fala em “risco concreto à vida” e cita crises de soluços, desmaios e internações
A petição protocolada pelos advogados reúne exames médicos e relatórios clínicos de Bolsonaro. A equipe afirma que o estado de saúde do ex-presidente está “debilitado” e exige acompanhamento especializado e permanente.
Segundo os advogados, Bolsonaro:
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já foi levado ao hospital três vezes desde o início da prisão domiciliar;
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enfrenta crises de “soluços incoercíveis”, que teriam provocado falta de ar e episódios de desmaio;
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precisa de exames frequentes e equipamentos médicos que, segundo a defesa, não estariam disponíveis no sistema prisional.
O documento classifica o ambiente da Papuda como “absolutamente incompatível” com o quadro clínico do ex-presidente e cita relatórios da Defensoria Pública do DF que apontam condições estruturais precárias no presídio.
Para a defesa, qualquer ordem de transferência ao regime fechado representaria “risco imediato à integridade física e à própria vida”.
Defesa cita precedente de Collor e tenta enquadrar Bolsonaro na mesma lógica humanitária
No pedido, os advogados lembram que o próprio Moraes concedeu prisão domiciliar humanitária a Fernando Collor de Mello em maio deste ano, após condenação definitiva.
A estratégia da equipe é mostrar que, da mesma forma, Bolsonaro seria um caso que exigiria proteção especial, diante:
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da idade,
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das condições médicas,
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do histórico de cirurgias após a facada de 2018,
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e da necessidade permanente de acompanhamento.
Segundo os advogados, essas exigências tornam “impossível” o cumprimento da pena em um estabelecimento prisional clássico.
Embargos infringentes e agravos: estratégia para evitar trânsito em julgado
No mesmo documento, a defesa afirma que pretende apresentar embargos infringentes, mesmo sabendo que o STF, hoje, entende que esse recurso não se aplica a casos como o do ex-presidente.
Para justificar a insistência, os advogados citam o Pacto de San José da Costa Rica, afirmando que o tratado internacional permitiria uma reinterpretação da Corte sobre o tema.
A defesa também já antecipa que, caso o pedido de manutenção da prisão domiciliar seja negado, irá apresentar agravo, para levar a discussão ao colegiado e evitar que o trânsito em julgado seja declarado enquanto ainda existirem recursos pendentes.
O entendimento do Supremo, porém, é claro: os embargos infringentes só são cabíveis quando há ao menos dois votos pela absolvição — o que não ocorreu no julgamento de Bolsonaro, já que apenas o ministro Luiz Fux divergiu.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 6 meses de prisão
O ex-presidente foi condenado pelos crimes de:
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tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito,
-
associação criminosa armada,
-
incitação ao golpe.
A pena total é de 27 anos e 6 meses de prisão.
Desde agosto, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por determinação de Moraes no âmbito do inquérito que investiga a tentativa de interferência na ação penal do golpe por meio de autoridades americanas — investigação que tornou Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, réu por coação no curso do processo.
Destino indefinido: Papudinha ou casa?
Nos bastidores, ministros do STF classificam como “provável” a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, considerada a unidade mais adequada para abrigar presos de alta complexidade e casos sensíveis.
A defesa, porém, tenta impedir que isso ocorra, apostando em:
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argumentos humanitários,
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precedentes favoráveis,
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e manobras processuais para prolongar o trâmite.
O caso agora aguarda análise de Moraes, que pode:
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manter a prisão domiciliar,
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determinar a transferência para a Papudinha,
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ou levar o caso ao plenário.
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