BASTIDORES DE BRASÍLIA

Saída de Flávio Bolsonaro do Brasil pode aumentar tensão entre Lula e Trump, avalia governo

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e a possibilidade de um pedido de asilo político nos Estados Unidos podem aumentar as tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. A preocupação envolve possíveis repercussões políticas do episódio e seus reflexos nas negociações entre os dois países.

Segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, Flávio deixou o Brasil na madrugada de quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas, atravessou a fronteira com a Argentina e seguiu viagem para os Estados Unidos. O senador teria planos de conceder uma entrevista coletiva ainda nesta semana para explicar sua saída do país e formalizar um pedido de asilo político ao governo norte-americano.

Suspeita de articulação nos Estados Unidos

O episódio ganhou novos contornos após Simón Levy, advogado mexicano que afirma ter ligação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuir ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, uma suposta participação na saída de Flávio do Brasil. Até o momento, essa alegação não foi apresentada como fato comprovado.

Rubio é visto por integrantes do governo brasileiro como um dos principais representantes da ala ideológica da administração Trump. Ele mantém proximidade política com Eduardo e Flávio Bolsonaro e já fez críticas públicas ao presidente Lula.

Na avaliação de interlocutores do governo brasileiro, uma eventual concessão de asilo ao senador poderia ampliar o desgaste diplomático. Apesar disso, auxiliares de Lula consideram que o episódio não impede a manutenção de canais de diálogo com Washington.

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Declarações de Trump sobre a eleição brasileira

A relação entre os governos também é marcada pelas declarações recentes de Trump sobre o processo eleitoral brasileiro. Um dia após a votação mencionada no relato, o presidente norte-americano afirmou, sem apresentar provas, que o resultado teria parecido uma “eleição fraudulenta”.

Apesar da crítica, Trump declarou gostar de Lula e afirmou manter uma boa relação com o presidente brasileiro.

Segundo o Metrópoles, o governo brasileiro optou por não responder diretamente às declarações para evitar ampliar a controvérsia. A avaliação de integrantes do Executivo é que uma reação mais dura poderia alimentar a disputa política entre os dois países.

Saída do país ocorreu após decisão sobre passaportes

A saída de Flávio Bolsonaro também ocorre em meio a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o empresário Willer Tomaz.

Conforme as informações divulgadas, a Polícia Federal solicitou medidas relacionadas aos passaportes dos investigados, pedido que teria sido atendido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito.

O episódio também foi relacionado a uma declaração feita pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Em um vídeo publicado na sexta-feira (23), ele afirmou que o irmão deveria deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição, argumentando que poderia enfrentar investigações após perder a imunidade parlamentar.

As circunstâncias da saída de Flávio e os efeitos das decisões judiciais deverão ser analisados pelas autoridades competentes.

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Negociações comerciais continuam no radar

Mesmo diante do possível desgaste político, integrantes do governo Lula avaliam que Brasil e Estados Unidos compartilham interesses econômicos e de segurança que justificam a continuidade do diálogo.

Um dos principais pontos de atrito é a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Desde julho, os Estados Unidos impõem sobretaxas a determinados produtos do Brasil, e o governo brasileiro mantém negociações para tentar reverter as medidas.

A última reunião ministerial citada pelo Metrópoles ocorreu no fim de setembro, nos Estados Unidos, com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, do chanceler Mauro Vieira e do representante comercial norte-americano Jamieson Greer. Até a publicação do relato original, não havia novas reuniões ministeriais previstas.

Outro assunto pendente é o aval do governo brasileiro para que Daniel Perez, indicado para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, possa exercer oficialmente o cargo. Embora o nome tenha sido aprovado pelo Senado norte-americano em agosto, ainda dependia do agrément brasileiro.

O governo Lula afirma que a análise segue critérios técnicos e que os procedimentos suspensos durante o período eleitoral devem ser retomados após o encerramento da votação.

Por enquanto, a avaliação de integrantes do Executivo é que o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro pode aumentar a pressão política entre os dois países, mas não representa, por si só, uma ruptura diplomática.

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