- POLÍTICA NACIONAL

Senado homenageia vítimas do Holocausto; dois sobreviventes contam suas histórias

Publicado em

O Senado homenageou as vítimas do Holocausto em sessão especial nesta terça-feira (18). A data corresponde ao Yom HaShoá VehaGvurá, o Dia da Lembrança do Holocausto e Heroísmo, dedicado a rememorar os seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazista da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial. Na sessão, foram ouvidos os relatos de dois sobreviventes do Holocausto, Gabriel Waldman e George Legmann, que falaram da tribuna do Senado.

A homenagem atendeu a requerimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), feito em comum acordo a Embaixada de Israel. Ao se dirigir a estudantes presentes no Plenário, o senador, que presidiu a sessão, explicou que realizar o tributo às vítimas é importante para conscientizar as novas gerações e evitar que tamanha barbárie se repita.

— Um dos objetivos é fazer chegar aos jovens o ocorrido há 78 anos. É preciso sempre recontar essa história de tristeza, mas também de heroísmo, para que, imbuídos desse espírito de fraternidade e solidariedade, vocês possam merecer um Brasil e um mundo construído com base na valorização da vida humana e da convivência dos diferentes — afirmou Jaques Wagner, que também leu mensagem do presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Fernando Lottenberg.

A sessão teve a participação do embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zohar Zonshine, do presidente do StandWithUs Brasil, André Lajst, e da coordenadora educacional do Memorial do Holocausto de São Paulo, Sarita Mucinic Sarue. Todos relataram experiências de familiares sobreviventes do Holocausto e ressaltaram a importância de cultivar a memória das vítimas e dos que lutaram contra o nazismo. Assim como combater o antissemitismo e outras formas de discriminação. A diretora-geral do Senado Federal, Ilana Trombka, que é judia, também discursou na sessão especial. Ela destacou o papel do Senado na luta contra a violência.

Leia Também:  Veja que senadores tomam posse na quarta-feira; quatro são ministros

— Em 2013, nós fizemos uma exposição no Salão Negro que se chamava “tão somente crianças: infâncias roubadas no Holocausto“. (…) Temos que aprender com a história e aprender que essa terrível originalidade que o Holocausto trouxe, de um plano de extermínio de um povo, nunca poderá ser repetida. A luta contra a violência, contra a iniquidade e contra a desumanidade é a luta deste Senado Federal — afirmou Ilana.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) também mencionou a relevância de recordar a história.

— Não se tem, hoje em dia, a real noção do que foi o nazifascismo, a perseguição de minorias, o uso da tecnologia para divulgar mentiras escabrosas sobre gente inocente, o extermínio em massa nos campos de concentração (…). O discurso neonazista, hoje em dia, atinge uma banalidade estarrecedora. Nós temos estudos recentes que apontam o crescimento de grupos neonazistas em quase 300% nos últimos anos. Muito disso se dá pela internet e pelas redes sociais — disse o senador.

Histórias de sobrevivência

Gabriel Waldman compartilhou no Plenário sua história de sobrevivência ao nazismo na Hungria, onde nasceu. Com apenas um ano de idade, no início da guerra, Waldman foi o único remanescente de sua família paterna, assassinada em 1944.

— A estratégia era a seguinte: primeiro, liquidar o interior da Hungria, pois era mais fácil. A família do meu pai era toda do interior. Não sobrou ninguém, a não ser eu, que estava em Budapeste [capital da Hungria]. A nossa função como sobreviventes é arrancar essas vítimas do Holocausto do seu anonimato — disse Waldman, lembrando que o nazismo transformou rapidamente “antissemitas ditos civilizados” em assassinos seriais.

Leia Também:  Projeto de lei libera R$ 8,7 milhões para Justiça, Educação e Infraestrutura

George Legmann, nascido em Dachau, campo de concentração na Alemanha, foi outro sobrevivente que participou da sessão. Após relatar fatos ocorridos com sua família nos campos de concentração, como o assassinato da avó e do tio, Legmann cobrou do Brasil cuidado com as ameaças à democracia.

— A democracia é que nem uma flor: se você não cuidar dela, ela murcha. Lá murchou… Aqui no Brasil, temos que cuidar da democracia para nunca mais acontecer o 8 de janeiro. Foi uma afronta ao povo brasileiro — disse Legmann.

Tributos

Na abertura da sessão, Jaques Wagner, que presidiu a sessão especial, solicitou um minuto de silêncio em memória das vítimas do genocídio. O evento teve a participação do quarteto de cordas composto por Carlos Eduardo, Cássio Silva, Nícolas Guilherme e Thiago Francis, que tocaram canções judaicas, além do hino de Israel. Senadores, deputados, embaixadores de vários países e integrantes da comunidade judaica também participaram da sessão solene no Plenário.

A fachada do Congresso Nacional também foi iluminada com a frase “Holocausto Nunca Mais” na noite de ontem, segunda-feira (17). A iniciativa foi da Confederação Israelita do Brasil (Conib), com apoio institucional do Congresso.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Anúncio

MAIS LIDAS DA SEMANA