ELEIÇÕES 2026
Lula vai às ruas em ato que mobilizou mais de 1 milhão de pessoas e cobra eleitores para o segundo turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou neste domingo (11) de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, e pediu que seus apoiadores procurem convencer pessoas que não votaram no primeiro turno a participar da próxima etapa da disputa eleitoral.
Durante o discurso, Lula afirmou que cerca de 30 milhões de pessoas deixaram de comparecer às urnas e defendeu uma mobilização para ampliar a participação dos eleitores no segundo turno.
“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar”, declarou o presidente. Ele também citou pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, e afirmou que os apoiadores precisam conversar com quem não pretende votar.
“Tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer as pessoas”, disse.
O evento ocorreu nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a partir das 11h, e reuniu aliados, apoiadores e lideranças políticas. A mobilização também integrou uma agenda de entidades ligadas à educação, à ciência e à tecnologia, que divulgaram uma carta em defesa da educação, da pesquisa e da democracia.
Lula critica Bolsonaro e anuncia prioridades
Em outro trecho do discurso, Lula criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. O petista afirmou que construir é mais difícil do que destruir e voltou a acusar o antigo governo de desconsiderar a ciência durante a crise sanitária.
“Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas”, afirmou Lula, ao mencionar as mortes provocadas pela doença.
O presidente também apresentou prioridades para um eventual novo mandato, citando inteligência artificial, indústria digital, transição energética e segurança pública.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial”, declarou.
Na área da segurança, Lula defendeu mudanças para ampliar a proteção da população e combater o crime organizado. “Nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos, para que a sociedade possa viver tranquila”, disse.
Escala 6×1 entra no discurso
Antes do ato, em conversa com jornalistas, Lula comentou a proposta de mudança na escala de trabalho 6×1. Segundo ele, a votação estava prevista para quarta-feira, e a oposição precisaria deixar claro seu posicionamento sobre a ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores.
Questionado sobre a possibilidade de adiamento para depois do segundo turno, o presidente afirmou que o calendário já havia sido discutido com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
“Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor”, declarou.
Lula também citou o PL e cobrou que o partido se manifeste sobre a proposta. “O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais. É isso”, afirmou.
Presidente fala sobre segurança pública e Justiça Eleitoral
Durante a entrevista, Lula também abordou a PEC da Segurança Pública. Ele afirmou que a proposta busca estabelecer as atribuições do governo federal e dos municípios no enfrentamento ao crime organizado.
O presidente ainda criticou possíveis cortes de direitos sociais que atribuiu a propostas de seu adversário e comparou as medidas ao governo do presidente argentino Javier Milei. Segundo Lula, mudanças dessa natureza poderiam prejudicar principalmente pessoas de baixa renda e aposentados.
Outro tema abordado foi a decisão do ministro Nunes Marques que derrubou o canal do deputado federal André Janones. Lula classificou a medida como um “absurdo” e disse que os advogados de sua candidatura deveriam pedir explicações à Justiça Eleitoral.
“Há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou.
O petista também afirmou que seu grupo pretende questionar decisões envolvendo perfis nas redes sociais e pedir condições que considera equilibradas para a disputa eleitoral.
Apoiadores também foram às ruas em outras cidades
A mobilização em apoio a Lula ocorreu também em outras regiões do país.
Em Campinas, no interior de São Paulo, apoiadores se concentraram às 10h no Largo do Rosário, na região central, para a chamada “Marcha pela Democracia”. A caminhada começou por volta das 11h30 e terminou aproximadamente às 13h20, com retorno ao ponto inicial. A dispersão começou às 13h30, quando a Rua Glicério foi liberada para o tráfego.
Em Belo Horizonte, apoiadores participaram de um bandeiraço organizado pelo bloco “Sou Vermelho”, no quarteirão fechado da Rua dos Carijós. Na sequência, os participantes seguiram em caminhada pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.
Segundo a prefeitura da capital mineira, equipes da BHTrans, da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar monitoraram a região da Praça Sete para acompanhar a segurança dos participantes e o trânsito.
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